Transição sorológica da toxoplasmose gestacional em territórios de vulnerabilidade ambiental
DOI:
https://doi.org/10.36517/2175-6783.20262796309Palavras-chave:
Toxoplasmose Congênita; Estudos Soroepidemiológicos; Suscetibilidade a Doenças; Cuidado Pré-Natal; Vigilância em Saúde Pública.Resumo
Objetivo: descrever a tendência temporal e a distribuição espacial da toxoplasmose gestacional em territórios de vulnerabilidade socioambiental. Métodos: estudo descritivo e observacional, com abordagem temporal e espacial a partir de registros laboratoriais de gestantes submetidas a exames sorológicos para detecção de infecção por Toxoplasma gondii. As análises incluíram frequências relativas, avaliação de tendência e agrupamento espacial para identificação de padrões territoriais de suscetibilidade. Resultados: verificou-se predominância de imunidade adquirida e proporção elevada de gestantes suscetíveis. A partir de 2020, observou-se discreta inversão do perfil sorológico, sugerindo redução da exposição ambiental ao parasito. A suscetibilidade mostrou-se mais elevada entre adolescentes e mulheres jovens. A análise espacial evidenciou três padrões territoriais: alta, intermediária e baixa suscetibilidade com maior imunidade na região norte e maior vulnerabilidade no centro-sul do estado. Conclusão: os achados indicam transição sorológica da toxoplasmose gestacional, com aumento relativo de gestantes suscetíveis em áreas específicas do território, reforçando a importância da triagem precoce, do reteste das suscetíveis e da regionalização das ações de vigilância. Contribuições para a prática: o estudo subsidia o aprimoramento da vigilância da toxoplasmose gestacional, orientando intervenções territorializadas no pré-natal, priorização de áreas vulneráveis e fortalecimento das políticas públicas.
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