Entre a Antropologia e a Literatura: a antropofagia de Oswald de Andrade

Autores/as

  • Ana Paula M. Morel Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Palabras clave:

    Antropofagia, Oswald de Andrade, Literatura, Teoria Antropológica, Alteridade

    Resumen

    Buscamos, neste trabalho, pensar em termos de diálogos entre Antropologia e Literatura para estabelecer algumas reflexões acerca da obra do escritor modernista. Oswald de Andrade. Praticante de uma Antropologia sem métier, esbarra com diversos problemas antropológicos, o que inclui sua relação intrínseca com a Antropofagia literal, além de temas como alteridade e primitivismo. Buscaremos as relações de afinidades entre a Antropofagia e a Antropologia identificando uma analogia entre o interesse pelo outro constituinte da operação antropológica e a máxima antropofágica: “Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do Antropófago”. Primeiramente analisaremos a relação da “ida ao povo” antropófaga com a “ida ao campo” própria da disciplina antropológica. Isto nos levará a pensar, então, as concepções presentes do encontro entre os povos ditos primitivos e a civilização ocidental. A partir desses fios veremos como Antropofagia literária e Antropologia se entremeiam e se (des)encontram.

    Biografía del autor/a

    • Ana Paula M. Morel, Universidade Federal do Rio de Janeiro
      Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA), no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais  (IFCS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Referencias

    ANDRADE, Oswald. Manifesto da poesia Pau-Brasil, in Do Pau-Brasil à

    antropofagia e às utopias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1970.

    ANDRADE, Oswald. Manifesto antropófago, in Do Pau-Brasil à antropofagia

    e às utopias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1970.

    ANDRADE, Oswald. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,

    CAMPOS, Haroldo de. Uma poética da radicalidade, in Poesias reunidas. Rio

    de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.

    CLASTRES, Pierre. Crônica dos índios Guayaki: o que sabem os aché,

    caçadores nômades do Paraguai. Rio de Janeiro: Editora 34. 1995.

    CLIFFORD, James. “Sobre a automodelagem etnográfi ca: Conrad e

    Malinowski”. In Gonçalves, J. R. S. (org.) A experiência etnográfi ca:

    antropologia e literatura no século XX. Rio de Janeiro: Editora da Universidade

    Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). p 100-131. 1998.

    FAUSTO, Carlos. “Cinco séculos de carne de vaca. Antropofagia literal

    e antropofagia literária.” João Cezar de Castro Rocha and Jorge Ruffi nelli

    (Eds.). Antropofagia hoje? Stanford University, 2000.

    FERNANDES, Rubem César. Dilemas do socialismo: a controvérsia entre

    Marx, Engels e os populistas russos. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1982.

    FIGUEIREDO, Vera Follain de. Oswald de Andrade e a descoberta do Brasil.

    In Oswald plural. Org. Helenice Valias de Moraes. Rio de Janeiro: Editora da

    Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), 1995.

    GEIGER, Amir. Uma antropologia sem métier: primitivismo e crítica no

    modernismo brasileiro. Tese de doutorado, Programa de Pós-Graduação em

    Antropologia Social (PPGAS), Museu Nacional, Universidade Federal do

    Rio de Janeiro (UFRJ). 1999.

    GELL, Alfred. Art and agency: an anthropological theory. Oxford: Oxford

    University Press, 1988.

    LÉVI-STRAUSS, Claude. Tristes tropiques. Paris: Plon. 1955.

    MALINOWSKI, Bronislaw. Argonautas do Pacífi co Ocidental. Coleção Os

    Pensadores. São Paulo: Editora Abril, 1978 [1922].

    MARTINS, Luciano. A gênese de uma intelligentsia os intelectuais e a

    política no Brasil 1920/1940. http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/

    rbcs_00_04/rbcs04_06.htm.

    MARTINS COSTA, Ana Luiza. “João Rosa, viator”. In: FANTINI, Marli

    (org.). A poética migrante de Guimarães Rosa. Belo Horizonte: Universidade

    Federal de Minas Gerais (UFMG), 2008. p. 312-348.

    MUNIZ, M. In: Oswald plural. Org. Helenice Valias de Moraes. Rio de

    Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), 1995.

    NIETZSCHE, F. A fi losofi a na era trágica dos gregos. Tradução de Fernando

    de Moraes Barros. 1ª edição. São Paulo: Hedra, 2008.

    NODARI, A. O perjúrio absoluto. Confl uenze, nº 1, 2009.

    STRATHERN, Marilyn. 1987. “Out of context: the persuasive fi ctions of

    anthropology”. In: Current anthropology, v. 28. n. 3. june, 1987.

    ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova

    Fronteira, 1986.

    SAHLINS, Marshall. O pessimismo sentimental e a experiência etnográfi ca:

    porque a cultura não é um objeto em vias de extinção”. Parte I. Mana, v. 3,

    n. 1, p. 74-73, 1997.

    VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo B. A inconstância da alma selvagem e

    outros ensaios de Antropologia. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.

    VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo B. Série Encontros. Org. Renato

    Sztutman. Rio de Janeiro: Ed Azougue, 2007.

    Cómo citar

    Entre a Antropologia e a Literatura: a antropofagia de Oswald de Andrade. (2014). Revista De Ciências Sociais, 44(2), 95-110. https://periodicos.ufc.br/revcienso/article/view/845