LEMBRAR É RESISTIR: MEMÓRIA E RESISTÊNCIA ENTRE LITERATURA E CINEMA EM AINDA ESTOU AQUI 3-14
Resumo
Contar uma história intimista é sempre um desafio, seja na literatura ou no cinema. O presente artigo analisa tanto o livro Ainda Estou Aqui (2014), de Marcelo Rubens Paiva, bem como sua adaptação fílmica, dirigida por Walter Salles (2024), sob a perspectiva de memória como forma de resistência contra a ditadura. A partir das reflexões de Jeanne Marie Gagnebin(2006), Esaú Brilhante do Nascimento(2021) e Linda Hutcheon (2013), se discutirá como a literatura e o cinema se entrelaçam na tarefa ética e política de relembrar o passado e combater o esquecimento histórico. A narrativa de Paiva transforma a dor pessoal e familiar em um testemunho coletivo, resgatando a memória das vítimas da Ditadura Militar e denunciando a persistência de práticas autoritárias no presente, servindo também como um alerta a todos de que, apesar de tudo, “ainda estamos aqui”, e eles também. Já o filme de Salles expande esse gesto de lembrança para o campo visual, intensificando a mensagem da narrativa de Paiva a uma experiência visual e sensorial partilhada na tela por meio da criação de um drama histórico. Assim, demonstra-se que tanto o livro quanto o filme, reafirmam a memória histórica é como um instrumento de resistência e de preservação histórica, e que lembrar é, acima de tudo, lutar e permanecer no tempo.
Palavras-chave: Memória; Ditadura Militar; Adaptação; Resistência;
