As consequências da condenação de Sócrates: a crítica de Hannah Arendt ao solipsismo moderno

  • Fábio Abreu dos Passos

Resumo

Na perspectiva arendtiana, desde a condenação de Sócrates, abriu-se um abismo quase intransponível entre filosofia e política. Este abismo fez com que a filosofia fosse extirpada do seio dos afazeres públicos e passasse a visar o homem como um ser singular, enquanto visar o homem na perspectiva da pluralidade passou a ser exclusividade da política. Este tipo de visada, segundo Hannah Arendt, fez com que autores como Descartes, Husserl e Heidegger trouxessem, para o seio de suas obras, aquilo que nossa autora vai criticar como sendo o solipsismo moderno, a partir do qual o homem é visto como um ser único, apartado dos demais, ou, quando próximo a eles, se decai em relação a sua existência autêntica. Assim, o intuito do presente artigo é analisar as consequências da condenação de Sócrates para o terreno da filosofia política e, fundamentalmente, analisar como, deste marco histórico/hermenêutico, o homem fora compreendido, pela filosofia, em sua singularidade nua e apartada dos demais indivíduos.

 

Palavras-chave: Filosofia; Política; Condenação; Sócrates; Singularidade.

Publicado
2013-01-01
Edição
Seção
Dossiê Hannah Arendt