Prazer e loucura no Filebo

  • Marcelo Marques Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

O artigo propõe a análise de algumas passagens do Filebo, nas quais se discute a relação entre prazer e loucura. Inicialmente (15D9-16A3), Sócrates aponta para os excessos de prazer que um jovem tende a experimentar com a descoberta do uso articulado dos argumentos, excessos que implicam numa espécie de entusiasmo que o levaria a situações de impasse; não só a ele, mas a todos os que estiverem à sua volta. Na segunda (36E5-8), contra a hipó- tese da mera possibilidade dos prazeres falsos, Protarco sugere que, nem em estado de lou- cura, alguém poderia julgar estar tendo prazer ou dor, sem de fato estar vivenciando tais ex- periências. Em terceiro lugar (45D6-E4), discute-se o que significa a experiência dos prazeres sem alguma imposição de limites, ou seja, o excesso, a falta de moderação e a falta de dis- cernimento são julgados como equivalentes a algum tipo de loucura. Trata-se de avaliar o valor do prazer, no âmbito da vida mista, com critérios tanto quantitativos, quanto qualita- tivos. Finalmente (63D2-64A5), no embate entre prazeres e pensamentos ou reflexões, ima- gina-se o quanto o excesso de uns impede o cultivo de outros, levando as almas à loucura e causando esquecimento e descuido no modo de se conduzir a vida.

Palavras-chave: Platão; Filebo; Prazer; Loucura.

Publicado
2014-07-01
Edição
Seção
Dossiê Filosofia Antiga