Teoria da Amizade de Aristóteles e o egoísmo ético

  • Lucas Rocha Faustino Universidade Estadual do Piauí

Resumo

A amizade funda uma relação política que secundariza qualquer primado instrumentalizador para as relações entre o eu e os outros, pois o que fundamentalmente está em jogo não são unicamente os próprios desejos “auto-referentes” ou os dos outros, mas a construção de uma base de ação e “co-relação” político-ética em que o fundamental é o que há de comum entre nós, o que “com-partilhamos” e “com-sentimos”. Defendemos, pois, que é tal perspectiva que Aristóteles procurará fundamentar em VII Ethica Eudemia e VIII, IX Ethica Nicomachea (EN). Dessa forma, a partir da estrutura existencial do homem, e assim mantendo a coerência com o que nos é exposto na Política, Physica, De Anima e Metaphysica, não por necessidade, mas por sua constituição política e ontocosmológica, a amizade apresenta-se como uma resposta “apropriada” ao modo como os homens devem relacionar-se, a saber: “o homem é um ser político e está na sua natureza o viver em comunidade. Por isso, mesmo o homem feliz viverá na companhia dos outros, visto possuir ele as coisas que são boas por natureza” (EN 1169b15-20).

Palavras-chave: Política; Aristóteles; autossuficiência.

Biografia do Autor

Lucas Rocha Faustino, Universidade Estadual do Piauí

Professor da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e doutorando em Filosofia da UFC

Publicado
2014-07-01
Edição
Seção
Dossiê Filosofia Antiga