A democracia como vítima do golpe tragicômico de 2016 no Brasil

  • Antonio Francisco Lopes Dias

Resumo

Karl Marx (2011), na obra 18 Brumaire de Louis Bonaparte, relata que o filósofo Hegel comentou, em muitas passagens de seus escritos, “que todos os grandes fatos e personagens da história mundial são encenados duas vezes”. Porém, ob- serva Marx, Hegel se esqueceu de acrescentar que a primeira encenação é como uma “tragédia”, e a segunda tal como uma como “farsa”. No Brasil, o golpe de Estado, que se repetiu mais de duas vezes, agora em 2016 se efetivou como uma tragicomédia. Fatos recentes da história política do Brasil provam essa tese, com um agravante: o assassinato da democracia. Em 1964, os militares, a elite burguesa etc., golpearam as combalidas bases da democracia de então ao assumirem, ditato- rialmente, o comando dos poderes do Estado (executivo, legislativo e judiciário) e, por conseguinte, das relações e práticas sociais, econômicas, morais, trabalhistas, educacionais. Em 1985, inicia-se o período da “redemocratização”, ou melhor, da gestação da democracia no Brasil. Mas esta, antes de renascer, sofreu um novo ataque em 2016 quando a então Presidenta Dilma Rousseff foi vítima de um golpe de Estado de cunho político-jurídico-midiático. A natureza deste golpe é tragicô- mica. O desfecho de uma tragicomédia, por vezes, é “um final feliz”; mas este não é o caso do golpe 2016 no Brasil. O objetivo deste texto é caracterizar o golpe de 2016 no Brasil como tragicômico e evidenciá-lo como assassino da democracia.

Palavras-chave: Democracia natimorta. Golpe político-jurídico-midiático 2016. Tragicomédia.

Biografia do Autor

Antonio Francisco Lopes Dias

Professor de Filosofia na Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Doutor em Educação: Filosofia da Educação (Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Membro do GT Ética e Cidadania (Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia - ANPOF). Pesquisador do Observatório Internacional de Inclusão, Interculturalidade e Inovação Pedagógica (OIIIIPe), do Núcleo de Estudos sobre Educação e Sociedade (NEPES, UESPI), do Núcleo de Pesquisas sobre Educação e Ciências Sociais (NUPECSO, UESPI) e do Grupo de Pesquisas sobre Filosofia, Educação e Práxis Social (FEPráxiS, UFPel).

Referências

ANASTASIA, Antonio. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/noticias/arquivos/ 2016/05/04/veja-aqui-a-integra-do-parecer-do-senador- antonio-anastasia>.

CARTA OS BRASILEIROS (Luiz Inácio Lula da Silva). São Paulo, 22/06/2002. Disponível em: .

CAZUZA. Burguesia. In: ______.(LP, CD). São Paulo: Polygram/Universal Music, 1989.

GENTILE, Pablo (Coord.). Golpe en Brasil: genealogía de una farsa. Buenos Aires: CLACSO; Buenos Aires: Fundación Octubre; Buenos: Aires: UMET (Universidad Metropolitana para la Educación y el Trabajo), 2016.

JINKINGS, Ivana; DORIA, Kim; CLETO, Murilo (Orgs.). Por que gritamos golpe?: para entender o impeachment e a crise. São Paulo: Boitempo, 2016.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Trad. de Álvaro Pina. São Paulo: Boitempo, 1998.

______. O 18 de brumário de Luís Bonaparte. Trad. de Nélio Schneider. São Paulo: Boitempo, 2011.

PLATÃO. A República. São Paulo: Abril Cultural, 1996. ROVAI, Renato (Org.). Golpe 16. São Paulo: Publisher, 2016.

Publicado
2018-04-30
Edição
Seção
Dossiê Ética e Cidadania