A originalidade da ideia de “arqueologia dos saberes” e seus desdobramentos políticos

  • Paulo Domenech Oneto Doutor em Filosofia e professor da UFRJ.

Resumo

A ideia de uma “arqueologia” no plano do pensamento, proposta por Michel Foucault (1926-1984), gerou e continua a gerar confusões e polêmicas. Assim tem sido desde os primeiros debates em torno do seu clássico As palavras e as coisas (1966), como vemos, por exemplo, na resposta dada por Sartre e outros marxistas ao livro. As leituras destes consistiram basicamente em denunciar ali uma recusa da história, o que acarretaria prejuízos para a ação política. Além desta polêmica, permanece uma confusão do empreendimento arqueológico com um esforço para indicar comportamentos ou mentalidades que estariam na base dos saberes, apenas inspirando discursos e práticas. O objetivo deste artigo é, nesse sentido, duplo: por um lado, reforçar a ideia de arqueologia do saber como avessa a uma história de ideias (mentalidades ou comportamentos); por outro, mostrar que uma de suas consequências é justamente o contrário do que se pôde pensar. Trata-se de ampliar o campo de ação política.

Palavras-chave: Foucault. Arqueologia. Práticas discursivas e não-discursivas. Verdade. Poder.

Biografia do Autor

Paulo Domenech Oneto, Doutor em Filosofia e professor da UFRJ.

Professor adjunto da Escola de Comunicação da UFRJ. Doutor em Filosofia Université de Nice, França.

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Publicado
2019-04-22
Edição
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Artigos