Neoliberalismo, desdemocratização, subjetividade

  • Rafael Rocha da Rosa Doutorando em Filosofia.

Resumo

Considerando a expansão da lógica de mercado e da economia, tanto para a polí- tica quanto para a vida social, nosso objetivo é compreender o modo como o neo- liberalismo produz sujeitos governáveis em conformidade com seus interesses. Nosso esforço é justificado pela urgência de novas formas de vida, de relações pessoais, de trabalho, de outras subjetividades, sobretudo de uma nova política. Ao analisamos a contemporaneidade, a aliança entre governos e grandes corpora- ções garantiu às empresas o domínio do mercado, da política e seus efeitos no- civos evidenciam seu projeto: precarização, fim de conquistas trabalhistas, revo- gação de direitos sociais, terceirização, privatização, generalização da concorrência, redução dos serviços públicos, desemprego, contração salarial. Em relação à polí- tica, o neoliberalismo seria um tipo específico de razão com uma pretensão totali- zante, a de enformar os aspectos existenciais nos moldes econômicos, que, por sua vez, fragmentaria princípios basilares da democracia. A forma de governo neoliberal conecta produção e direção das condutas e classifica modos de exis- tência de acordo com a renda, a herança, o mérito, o trabalho: cada um desses itens prescreve certo modo de ser. Nesse propósito, uma de suas principais estra- tégias seria sua forma de subjetivação, fabricando sujeitos cujos valores obedece- riam a lógica de mercado, para então conduzir suas condutas.

Palavras-chave: Foucault. Subjetividade. Neoliberalismo. Democracia. Wendy Brown.

Biografia do Autor

Rafael Rocha da Rosa, Doutorando em Filosofia.

Doutorando em Filosofia pela UERJ.

Referências

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Publicado
2019-04-22
Edição
Seção
Artigos