SOBRE O FENÔMENO DA INTERATIVIDADE

Palavras-chave: Arte, Sociedade, Técnica, Humanismo

Resumo

Trabalhar com componentes de hardware e software, até então destinados à execução exclusiva de tarefas computacionais objetivas, já não parece mais irrelevante para o discurso artístico, fato esse que legitima à Estética Contemporânea a apropriação de uma gama de possibilidades, incluindo a própria análise das relações entre tecnologia e arte. Cabe lembrar que a discussão sobre o fazer artístico por meio de computadores, mesmo de maneira inicial, já aparece por volta dos anos de 1950, em meio a um debate que estava longe de terminar. Para a atualidade do debate, tendo por base um novo estatuto linguístico instaurado pelas tecnologias digitais, é necessário, sob uma ótica distinta, refletir sobre a possibilidade de experienciar a relação entre tempo e espaço - sucessividade e simultaneidade - por meio da imersão interativa nos ambientes virtuais.  Sendo assim, este artigo propõe o exame de textos elaborados por teóricos que fundamentaram o chamado ramo da comunicação avançada, discutindo o potencial estético apregoado pelos adeptos da intitulada “arte virtual”, por meio da também denominada “realidade aumentada”. A partir da reflexão sobre os modos de produção da arte nos dias de hoje, baseada na mediação entre necessidade e ação tecnológica, talvez seja possível conceituar e dar sentido histórico concreto a uma ideia de desenvolvimento técnico como forma de potencialização do humano.

Referências

ADORNO, T. Introducción a la dialéctica. Buenos Aires: Eterna Cadencia: 2013.

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. Porto Alegre: L&PM, 2019.

DAL LAGO, A. Populismo digitale: la crisi, la rete e la nova destra. Milão: Raffaello Cortina Editore, 2007.

DIODATO, R. Estética de lo virtual. Mexico: Universidad Iberoamericana, 2011.

DOWNES, E. J. & MCMILLAN, S. J. Defining interactivity: a qualitative identification of key dimensions. Londres: New Media & Society, SAGE Publications, vol. 2, 2000. Disponível em «http://nms.sagepub.com/cgi/content/abstract/2/2/157» Acesso em: 30/05/2021.

GRAU, O. Arte virtual - Da ilusão à imersão. São Paulo: UNESP/SENAC, 2007.

HORKHEIMER, M. Eclipse da razão. São Paulo: Centauro, 2002.

JOLY, M. A imagem e os signos. Lisboa: Edições 70, 2005.

KIOUSIS, S. Interactivity: a concept explication. Londres e Nova Deli: New Media & Society, SAGE Publications, vol. 4 (3), 2002. Disponível em «http://nms.sagepub.com/cgi/content/abstract/4/3/355» Acesso em: 30/05/2021.

PLATÃO. A República. Belém: Editora UFPA, 2000.

QUÉAU, P. Lo virtual: virtudes y vértigos. Barcelona-México: Paidós, 1995.

RAFAELI, S. Interactivity: From new media to communication. Londres: Sage Annual Review of Communication Research: Advancing Communication Science, Vol. 16, 1988. Disponível em «http://gsb.haifa.ac.il/~sheizaf/interactivity/Rafaeli_interactivity.pdf» Acesso em: 30/05/2021.

RIVOLTELLA, P. C. La multimedialità, in C. Scurati (a cura di), Tecniche e significati, Vita e Pensiero. Milão, 2000.

WIENER, N. Cibernética e sociedade: o uso humano dos seres humanos. São Paulo: Cultrix, 1954.
Publicado
2021-08-28
Seção
Dossiê Filosofia da Técnica e Educação (III)