RAP E CONSCIENTIZAÇÃO: O LEGADO DE PAULO FREIRE NO HIP HOP CEARENSE

Resumo

Este trabalho se propõe a analisar a retórica do rap de Fortalezano contexto da filosofia de Paulo Freire da “pedagogia do oprimido” para elucidar a relação do rapper com as comunidades. Partindo de uma pesquisa etnográfica realizada com vários rappers moradores dos bairros periféricos de Fortaleza e incorporando uma análise das letras e da articulação entre política e estética nos raps, examina-se como os rappers constituem uma pedagogia alternativa para suas comunidades: um discurso realizado pelo oprimido, para o oprimido e com o oprimido. Para essa compreensão, avalia-se como as performances de hip-hop podem criar espaços de união e aprendizado dialético entre cantor e público. No ato performativo de pronunciar o mundo, o rapper o transforma, virando orador e educador para o público e mostrando a capacidade da cultura de hip-hop de mudar a vida das pessoas, oferecer alternativas à violência, criar comunidades e redes contra-hegemônicas e desconstruir as assimetrias de poder centro-periferia, tanto na geopolítica quanto na geografia urbana.

Biografia do Autor

Charlie D. Hankin, Princeton University

Doutorando na Universidade de Princeton, Estados Unidos. Essa pesquisa foi realizada com o apoio de uma bolsa de Fulbright/CAPES. Um agradecimento de coração a toda a galera linda de Fortaleza que ajudou nela, sobre tudo Andréia Turolo, Lia Leite, Lucas Rozzoline, Erivan Produtos do Morro, Lenny, Pedro Vilão, Nego Galo, Preto Zezé, Coro MC, André GDS, Lesivo MC, Padêro MC e Carolina Rebouças. Uma versão anterior desse trabalho foi apresentada no IV Encontro Internacional de Literaturas, Histórias e Culturas Afro-Brasileiras em Teresina, Pi, Brasil em 2015.

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Publicado
2017-12-01
Seção
Estudos Literários