Edições anteriores

2019

afectos, fulgores, paisagem

v. 1, n. 15 (2019): Temática Livre

afectos, fulgores, paisagem[1]

 

Série fotográfica que registra a casa de Maria Gabriela Llansol, que hoje funciona como Espaço Llansol, em Sintra, Portugal. Partem de uma busca de biografemas llansolianos, os restos de biografia que se encontram no espaço da casa, fragmentos. São pequenos objetos, disposição de móveis, escrita, plantas e certa luminosidade que se infiltra no espaço – há o encantamento e a ruína.

 

 Fernanda Xavier Maia[2]


[1] Texto de autoria da fotógrafa Fernanda Xavier Maia sobre sua série fotográfica realizada em 2014.

[2] Mestranda em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Montes Claros, realiza trabalhos em colagem, ilustração e produção audiovisual.


2018

Capa da revista

v. 1, n. 14 (2018): Dossiê “Gênero e Literatura: da Autoridade do Cânone Literário às Potências Narrativas”

IMPEDIDA PELO GÊNERO

A desigualdade de gênero afeta varios aspectos da sociedade, um exemplo é o meio literário.  Desde premiações e cadeiras em academias, até a rankings de livros mais lidos, a escrita feminina sempre é invisibilizada e, o motivo, é o gênero. Impedida pelo gênero é uma fotografia que representa esse obstaculo. Representa uma mão masculina que impede de a mão feminina alcançar o livro. Representa a dificuldade do gênero feminino para estabalecer uma produção literária.

Vivian Siqueira Gomes

Capa da revista

v. 1, n. 13 (2018): Temática Livre

Obra sem título

Artista: Raissa Christina 

Capa da revista

v. 1, n. 12 (2018): Dossiê (Des)Dobras Barrocas: Conexões Transatlânticas entre Artes e Culturas

TETO DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DA PRAIA

 

A imagem que ilustra a capa do Dossiê (Des)Dobras Barrocas: Conexões Transatlânticas entre Artes e Culturas é uma fotografia[1] do teto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia em Salvador-BA, artisticamente reelaborada por Gracielly Dias de Moura por meio da referencia ao livro Perspectiva pictorum et architectorum de Andrea Pozzo[2], um dos manuais que influenciaram a concepção da pintura do forro em quadratura no âmbito do barroco brasileiro.

A inauguração do edifício religioso ocorreu em 1765. A construção foi iniciada em 1739, no lugar de uma igreja anterior existente desde a metade do século XVI e na qual Padre Antônio Vieira em 1633 pregou o seu primeiro sermão antes de se ordenar sacerdote, o Sermão da Quarta Dominga da Quaresma.

O afresco do teto da nova igreja é obra do pintor José Joaquim da Rocha (1737-1807), artista em torno do qual – escreve Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira – “se desenvolveu a principal escola de pintura em perspectiva ilusionista do Brasil colonial” (2014: 52)[3]. Concebida na atmosfera barroca do theatrum mundi [teatro do mundo], a pintura cria uma ilusão de profundidade, retrata a glorificação da Santíssima Virgem da Imaculada Conceição na presença de figuras alegóricas dos continentes e da Santíssima Trindade; abrindo o espaço real à contemplação das esferas celestes.

Conforme pontuam Borngässer & Toman (2004: 07)[4], este tipo de obra servia, no mundo colonial, para impressionar/ofuscar os súditos e, ao mesmo tempo, para emular uma imagem especular de mundo perfeitamente organizado desde a terra até os céus (sicut in cælo, et in terra).

 Erimar Wanderson da Cunha Cruz[5]

Taynan Leite da Silva[6] 


[1] Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jos%C3%A9_Joaquim_da_Rocha_-

_teto_da_Igreja_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_da_Praia_-_completo.jpg> Acesso em: 03 mai 2018.

[2] Disponível em: <https://archive.org/details/gri_33125008639367> Acesso em: 22 julho 2018.

[3] OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. Barroco e rococó no Brasil. Belo Horizonte: C/Arte, 2014.

[4] BORNGÄSSER, Barbara; TOMAN, Rolf. Introdução In: TOMAN, Rolf. O Barroco - Arquitetura, Escultura, Pintura. Tradução de Maria da Luz Cidreiro Lopes e Teresa Santana. Lisboa: Könemann, 2004.

[5] Professor do Instituto Federal do Piauí – Campus São Raimundo Nonato, Mestre em Estudos Literários (UFPI) e doutorando em Literatura Comparada (UFC).

[6] Mestranda em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará.

Capa da revista

v. 1, n. 11 (2018): Temática Livre

Abril

Quando as cores se movem através dos corpos acontece de se perder de vista onde acontecem os limites. quando as cores entram em composição com a tinta de uma foto acontece uma vibração que move a paisagem de lugar, a substância do preto que começa por deixar que a sobreposição aconteça e logo há vermelho sobre o breu. acontece certa mutação quando o homem amoroso vai o convívio – dos livros, das cores. quando o giz traça sobre o corpo deste homem um gesto também amoroso ele deixa a rugosidade do papel ser vista, ele deixa com que a textura do lugar também se dê a ver no fluxo que é a cor se espalhando – ar.

a imagem, que tem nome de Abril, é um começo de abertura esperado – faz parte de uma série de ilustrações, colagens e intervenções que aconteceram por um encontro inesperado do diverso ou afetação ou amor ou qualquer mutação que isso venha a ter nos olhos de quem vê.

Fernanda Xavier Maia


2017

Capa da revista

v. 1, n. 10 (2017): Temática Livre

A ilustração foi realizada a partir da música "Bananeira", composta por João Donato e Gilberto Gil e lançada no disco Lugar Comum, de 1975.

O processo de construção da imagem parte da livre associação com a canção que nos sugere, tanto em sua letra, quanto melodicamente, uma atmosfera colorida, leve e ao mesmo tempo inusitada.

Na ilustração, a já popularizada expressão "plantar bananeira", que designa a brincadeira de ficar de cabeça para baixo, apoiando-se nos braços com as pernas mantidas suspensas no ar, se funde com a própria representação da bananeira, oferecendo apenas um dos múltiplos caminhos interpretativos oferecidos pela canção, reservando ao observador, em todo caso, a liberdade da decisão: "a bananeira, sei não, a maneira de ver/isso é lá com você".

Título: "A maneira de ver"

Técnica: aquarela, nanquim e colagem. 

Lucas Mariano de Oliveira

Capa da revista

v. 2, n. 9 (2017): Dossiê "Vidas íntimas: poéticas do Eu"

Escrever um texto é expressar algo ao mesmo tempo em que fala de si, sem escancarar, deixando transparecer. Das questões opinativas do colégio, passando pelas redações e chegando às redes sociais, em algum grau estamos a nos revelar um pouco quando escrevemos. Pensar a criação dessa capa, intitulada Janela de Si, envolveu várias pessoas, ideias e inquietações e traz como ideia principal pensar a escrita de si como abertura para o mundo.

Quando escrevo um texto, mostro mais sobre quem sou e dou abertura aos possíveis encontros com vários eus. Sem restringir, que suportes podem trazer à tona essa potência autobiográfica de forma mais evidente? De lado, real e palpável, temos o diário. Um pequeno caderno onde são feitas anotações sobre o dia-a-dia, coisa íntima. Fragmentos de papel indicam vários momentos escritos por alguém, compondo a paisagem com uma espécie de bricolagem de palavras recortadas, que ora trazem palavras relacionadas ao tema da publicação, ora trazem indagações pessoais.

Do outro lado, virtual e sem fim, temos as redes sociais. Espaços virtuais compostos por pessoas e instituições que interagem e criam ali. No centro das narrativas recortadas, uma questão que todos os dias nos é lançada ao navegarmos em determinada rede social para saber de nossos próximos: no que você está pensando? Escrever agora não se basta no papel. É possível falar de si e ser recompensado por isso instantaneamente, tendo como estímulo as reações inúmeras de acordo com o conteúdo. 

Abrir-se para o mundo como quem abre uma janela e olhar aquilo que ela oferece para que os olhos leiam, tendo o céu como uma dentre várias possibilidades de vista, embora ele só já seja infinito por si. 

Rodrigo Lopes

Janela de Si

v. 1, n. 9 (2017): Dossiê "Vidas íntimas: poéticas do Eu"

Escrever um texto é expressar algo ao mesmo tempo em que fala de si, sem escancarar, deixando transparecer. Das questões opinativas do colégio, passando pelas redações e chegando às redes sociais, em algum grau estamos a nos revelar um pouco quando escrevemos. Pensar a criação dessa capa, intitulada Janela de Si, envolveu várias pessoas, ideias e inquietações e traz como ideia principal pensar a escrita de si como abertura para o mundo.

Quando escrevo um texto, mostro mais sobre quem sou e dou abertura aos possíveis encontros com vários eus. Sem restringir, que suportes podem trazer à tona essa potência autobiográfica de forma mais evidente? De lado, real e palpável, temos o diário. Um pequeno caderno onde são feitas anotações sobre o dia-a-dia, coisa íntima. Fragmentos de papel indicam vários momentos escritos por alguém, compondo a paisagem com uma espécie de bricolagem de palavras recortadas, que ora trazem palavras relacionadas ao tema da publicação, ora trazem indagações pessoais.

Do outro lado, virtual e sem fim, temos as redes sociais. Espaços virtuais compostos por pessoas e instituições que interagem e criam ali. No centro das narrativas recortadas, uma questão que todos os dias nos é lançada ao navegarmos em determinada rede social para saber de nossos próximos: no que você está pensando? Escrever agora não se basta no papel. É possível falar de si e ser recompensado por isso instantaneamente, tendo como estímulo as reações inúmeras de acordo com o conteúdo. 

Abrir-se para o mundo como quem abre uma janela e olhar aquilo que ela oferece para que os olhos leiam, tendo o céu como uma dentre várias possibilidades de vista, embora ele só já seja infinito por si.

Rodrigo Lopes


2016

Capa da revista

v. 1, n. 8 (2016): 100 anos de Manoel de Barros: poesia da simplicidade

A imagem de capa desta edição de Entrelaces, intitulada “Plumagens de Pipa”, é composta de traços multicolores, representando a ludicidade da poesia que tem como fonte a experiência onírica trazida pela memória infante.

Os traços criam, nas bordas, entrecruzamentos, assim como os versos se cruzam para a existência dum poema. O fundo azul rememora os sonhos compostos de anil, onde voam os olhares de crianças. Ao centro do desenho, uma sugestão de pluma semiformada, lembrando também um “P” ao avesso.

A pipa e a pluma são símbolos de leveza e liberdade, sensações encontráveis em qualquer leitura de poemas do poeta homenageado: Manoel de Barros. Em celebração aos seus 100 anos, todos os voos de poesia

Weslley Almeida

Capa da revista

v. 1, n. 7 (2016): Nacionalismo em suas Diversas Formas

A imagem da capa desta edição de Entrelaces é uma aquarela elaborada especialmente para a revista. A composição tem formas geométricas ao fundo, em disposição que lembra os mosaicos. Sobre essas áreas previamente pinceladas, a aquarela líquida foi aplicada a bico de pena, com efeito texturizado de hachuras. Como se trata de síntese alegórica do nacionalismo, a composição recupera alguns ícones da construção de nossa identidade nacional, sobretudo na fase modernista. Assim, com o uso das tintas de nossa bandeira e a cor de nossa mestiçagem, propus uma mescla entre o geométrico e o orgânico. Os pequenos módulos geométricos tanto recuperam as formas das bandeirinhas de Volpi, na parte superior da composição, como as colunas de Niemeyer, que formam a base do trabalho. Sobre esses elementos geométricos, destaca-se uma referência ao Abaporu, de Tarsila do Amaral, obra que é símbolo modernista de nossa antropofagia cultural.

José Leite Jr.


2015

Capa da revista

v. 1, n. 6 (2015): Travessias da Seca

O trabalho que ilustra este número da Entrelaces é uma aquarela. Faz parte de uma série, que denomino “Paisagens do sertão”. A aquarela líquida permitiu unir a suavidade da pincelada ao efeito de textura do bico de pena. A pincelada sugere o solo árido, no primeiro plano, e o céu com nuvens promissoras, ao fundo. Em contraste com esses efeitos do pincel, aparece a imagem da árvore sem folhas, com sombras que se confundem com raízes, e a longa cerca, em perspectiva que corta horizontalmente a composição. Cada elemento técnico, evidentemente, aparece no conjunto com uma função que considero simbólica. O próprio uso da aquarela, técnica em que a água é essencial na mescla dos pigmentos, tem relação com a necessidade de água do sertão nordestino. O contraste entre a cor quente da terra e a cor fria do céu também não é uma coincidência, já que representa o paradoxo climático de nossa região, na dialética da vida e da morte. Outro contraste é sugerido pela cerca, que, por um lado, separa a natureza da cultura, e, por outro, divide a sociedade entre proprietários e não proprietários.

José Leite Jr.





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