Edições anteriores

2018

Capa da revista

v. 1, n. 13 (2018): Temática Livre

Obra sem título

Artista: Raissa Christina 

Capa da revista

v. 1, n. 12 (2018): Dossiê (Des)Dobras Barrocas: Conexões Transatlânticas entre Artes e Culturas

TETO DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DA PRAIA

 

A imagem que ilustra a capa do Dossiê (Des)Dobras Barrocas: Conexões Transatlânticas entre Artes e Culturas é uma fotografia[1] do teto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia em Salvador-BA, artisticamente reelaborada por Gracielly Dias de Moura por meio da referencia ao livro Perspectiva pictorum et architectorum de Andrea Pozzo[2], um dos manuais que influenciaram a concepção da pintura do forro em quadratura no âmbito do barroco brasileiro.

A inauguração do edifício religioso ocorreu em 1765. A construção foi iniciada em 1739, no lugar de uma igreja anterior existente desde a metade do século XVI e na qual Padre Antônio Vieira em 1633 pregou o seu primeiro sermão antes de se ordenar sacerdote, o Sermão da Quarta Dominga da Quaresma.

O afresco do teto da nova igreja é obra do pintor José Joaquim da Rocha (1737-1807), artista em torno do qual – escreve Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira – “se desenvolveu a principal escola de pintura em perspectiva ilusionista do Brasil colonial” (2014: 52)[3]. Concebida na atmosfera barroca do theatrum mundi [teatro do mundo], a pintura cria uma ilusão de profundidade, retrata a glorificação da Santíssima Virgem da Imaculada Conceição na presença de figuras alegóricas dos continentes e da Santíssima Trindade; abrindo o espaço real à contemplação das esferas celestes.

Conforme pontuam Borngässer & Toman (2004: 07)[4], este tipo de obra servia, no mundo colonial, para impressionar/ofuscar os súditos e, ao mesmo tempo, para emular uma imagem especular de mundo perfeitamente organizado desde a terra até os céus (sicut in cælo, et in terra).

 Erimar Wanderson da Cunha Cruz[5]

Taynan Leite da Silva[6] 


[1] Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jos%C3%A9_Joaquim_da_Rocha_-

_teto_da_Igreja_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_da_Praia_-_completo.jpg> Acesso em: 03 mai 2018.

[2] Disponível em: <https://archive.org/details/gri_33125008639367> Acesso em: 22 julho 2018.

[3] OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. Barroco e rococó no Brasil. Belo Horizonte: C/Arte, 2014.

[4] BORNGÄSSER, Barbara; TOMAN, Rolf. Introdução In: TOMAN, Rolf. O Barroco - Arquitetura, Escultura, Pintura. Tradução de Maria da Luz Cidreiro Lopes e Teresa Santana. Lisboa: Könemann, 2004.

[5] Professor do Instituto Federal do Piauí – Campus São Raimundo Nonato, Mestre em Estudos Literários (UFPI) e doutorando em Literatura Comparada (UFC).

[6] Mestranda em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará.

Capa da revista

v. 1, n. 11 (2018): Temática Livre

Abril

Quando as cores se movem através dos corpos acontece de se perder de vista onde acontecem os limites. quando as cores entram em composição com a tinta de uma foto acontece uma vibração que move a paisagem de lugar, a substância do preto que começa por deixar que a sobreposição aconteça e logo há vermelho sobre o breu. acontece certa mutação quando o homem amoroso vai o convívio – dos livros, das cores. quando o giz traça sobre o corpo deste homem um gesto também amoroso ele deixa a rugosidade do papel ser vista, ele deixa com que a textura do lugar também se dê a ver no fluxo que é a cor se espalhando – ar.

a imagem, que tem nome de Abril, é um começo de abertura esperado – faz parte de uma série de ilustrações, colagens e intervenções que aconteceram por um encontro inesperado do diverso ou afetação ou amor ou qualquer mutação que isso venha a ter nos olhos de quem vê.

Fernanda Xavier Maia


2017

Capa da revista

v. 1, n. 10 (2017): Temática Livre

A ilustração foi realizada a partir da música "Bananeira", composta por João Donato e Gilberto Gil e lançada no disco Lugar Comum, de 1975.

O processo de construção da imagem parte da livre associação com a canção que nos sugere, tanto em sua letra, quanto melodicamente, uma atmosfera colorida, leve e ao mesmo tempo inusitada.

Na ilustração, a já popularizada expressão "plantar bananeira", que designa a brincadeira de ficar de cabeça para baixo, apoiando-se nos braços com as pernas mantidas suspensas no ar, se funde com a própria representação da bananeira, oferecendo apenas um dos múltiplos caminhos interpretativos oferecidos pela canção, reservando ao observador, em todo caso, a liberdade da decisão: "a bananeira, sei não, a maneira de ver/isso é lá com você".

Título: "A maneira de ver"

Técnica: aquarela, nanquim e colagem. 

Lucas Mariano de Oliveira

Capa da revista

v. 2, n. 9 (2017): Dossiê "Vidas íntimas: poéticas do Eu"

Escrever um texto é expressar algo ao mesmo tempo em que fala de si, sem escancarar, deixando transparecer. Das questões opinativas do colégio, passando pelas redações e chegando às redes sociais, em algum grau estamos a nos revelar um pouco quando escrevemos. Pensar a criação dessa capa, intitulada Janela de Si, envolveu várias pessoas, ideias e inquietações e traz como ideia principal pensar a escrita de si como abertura para o mundo.

Quando escrevo um texto, mostro mais sobre quem sou e dou abertura aos possíveis encontros com vários eus. Sem restringir, que suportes podem trazer à tona essa potência autobiográfica de forma mais evidente? De lado, real e palpável, temos o diário. Um pequeno caderno onde são feitas anotações sobre o dia-a-dia, coisa íntima. Fragmentos de papel indicam vários momentos escritos por alguém, compondo a paisagem com uma espécie de bricolagem de palavras recortadas, que ora trazem palavras relacionadas ao tema da publicação, ora trazem indagações pessoais.

Do outro lado, virtual e sem fim, temos as redes sociais. Espaços virtuais compostos por pessoas e instituições que interagem e criam ali. No centro das narrativas recortadas, uma questão que todos os dias nos é lançada ao navegarmos em determinada rede social para saber de nossos próximos: no que você está pensando? Escrever agora não se basta no papel. É possível falar de si e ser recompensado por isso instantaneamente, tendo como estímulo as reações inúmeras de acordo com o conteúdo. 

Abrir-se para o mundo como quem abre uma janela e olhar aquilo que ela oferece para que os olhos leiam, tendo o céu como uma dentre várias possibilidades de vista, embora ele só já seja infinito por si. 

Rodrigo Lopes

Janela de Si

v. 1, n. 9 (2017): Dossiê "Vidas íntimas: poéticas do Eu"

Escrever um texto é expressar algo ao mesmo tempo em que fala de si, sem escancarar, deixando transparecer. Das questões opinativas do colégio, passando pelas redações e chegando às redes sociais, em algum grau estamos a nos revelar um pouco quando escrevemos. Pensar a criação dessa capa, intitulada Janela de Si, envolveu várias pessoas, ideias e inquietações e traz como ideia principal pensar a escrita de si como abertura para o mundo.

Quando escrevo um texto, mostro mais sobre quem sou e dou abertura aos possíveis encontros com vários eus. Sem restringir, que suportes podem trazer à tona essa potência autobiográfica de forma mais evidente? De lado, real e palpável, temos o diário. Um pequeno caderno onde são feitas anotações sobre o dia-a-dia, coisa íntima. Fragmentos de papel indicam vários momentos escritos por alguém, compondo a paisagem com uma espécie de bricolagem de palavras recortadas, que ora trazem palavras relacionadas ao tema da publicação, ora trazem indagações pessoais.

Do outro lado, virtual e sem fim, temos as redes sociais. Espaços virtuais compostos por pessoas e instituições que interagem e criam ali. No centro das narrativas recortadas, uma questão que todos os dias nos é lançada ao navegarmos em determinada rede social para saber de nossos próximos: no que você está pensando? Escrever agora não se basta no papel. É possível falar de si e ser recompensado por isso instantaneamente, tendo como estímulo as reações inúmeras de acordo com o conteúdo. 

Abrir-se para o mundo como quem abre uma janela e olhar aquilo que ela oferece para que os olhos leiam, tendo o céu como uma dentre várias possibilidades de vista, embora ele só já seja infinito por si.

Rodrigo Lopes


2016

Capa da revista

v. 1, n. 8 (2016): 100 anos de Manoel de Barros: poesia da simplicidade

A imagem de capa desta edição de Entrelaces, intitulada “Plumagens de Pipa”, é composta de traços multicolores, representando a ludicidade da poesia que tem como fonte a experiência onírica trazida pela memória infante.

Os traços criam, nas bordas, entrecruzamentos, assim como os versos se cruzam para a existência dum poema. O fundo azul rememora os sonhos compostos de anil, onde voam os olhares de crianças. Ao centro do desenho, uma sugestão de pluma semiformada, lembrando também um “P” ao avesso.

A pipa e a pluma são símbolos de leveza e liberdade, sensações encontráveis em qualquer leitura de poemas do poeta homenageado: Manoel de Barros. Em celebração aos seus 100 anos, todos os voos de poesia

Weslley Almeida

Capa da revista

v. 1, n. 7 (2016): Nacionalismo em suas Diversas Formas

A imagem da capa desta edição de Entrelaces é uma aquarela elaborada especialmente para a revista. A composição tem formas geométricas ao fundo, em disposição que lembra os mosaicos. Sobre essas áreas previamente pinceladas, a aquarela líquida foi aplicada a bico de pena, com efeito texturizado de hachuras. Como se trata de síntese alegórica do nacionalismo, a composição recupera alguns ícones da construção de nossa identidade nacional, sobretudo na fase modernista. Assim, com o uso das tintas de nossa bandeira e a cor de nossa mestiçagem, propus uma mescla entre o geométrico e o orgânico. Os pequenos módulos geométricos tanto recuperam as formas das bandeirinhas de Volpi, na parte superior da composição, como as colunas de Niemeyer, que formam a base do trabalho. Sobre esses elementos geométricos, destaca-se uma referência ao Abaporu, de Tarsila do Amaral, obra que é símbolo modernista de nossa antropofagia cultural.

José Leite Jr.


2015

Capa da revista

v. 1, n. 6 (2015): Travessias da Seca

O trabalho que ilustra este número da Entrelaces é uma aquarela. Faz parte de uma série, que denomino “Paisagens do sertão”. A aquarela líquida permitiu unir a suavidade da pincelada ao efeito de textura do bico de pena. A pincelada sugere o solo árido, no primeiro plano, e o céu com nuvens promissoras, ao fundo. Em contraste com esses efeitos do pincel, aparece a imagem da árvore sem folhas, com sombras que se confundem com raízes, e a longa cerca, em perspectiva que corta horizontalmente a composição. Cada elemento técnico, evidentemente, aparece no conjunto com uma função que considero simbólica. O próprio uso da aquarela, técnica em que a água é essencial na mescla dos pigmentos, tem relação com a necessidade de água do sertão nordestino. O contraste entre a cor quente da terra e a cor fria do céu também não é uma coincidência, já que representa o paradoxo climático de nossa região, na dialética da vida e da morte. Outro contraste é sugerido pela cerca, que, por um lado, separa a natureza da cultura, e, por outro, divide a sociedade entre proprietários e não proprietários.

José Leite Jr.





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