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2016

Vol 1, No 8 (2016): 100 anos de Manoel de Barros: poesia da simplicidade

Adentrar, tentar analisar literariamente, pensar na poesia do sul-matogrossense e pantaneiro Manoel de Barros, que, neste ano de 2016, se fosse vivo, faria 100 anos, apresenta de imediato um desafio: como entender uma lírica capaz de unir, há um só tempo, a simplicidade que foge ao hermético e ao que deve ser útil e a complexidade de um texto explorador das mais incríveis possibilidades permitidas pela linguagem poética. Em “Teologia do traste”, o eu lírico do poeta reitera que: “As coisas jogadas fora por motivo de traste/ são alvo da minha estima./ Prediletamente latas./ Latas são pessoas léxicas pobres porém concretas./ Se você jogar na terra uma lata por motivo de/ traste: mendigos, cozinheiras ou poetas podem pegar”.

O saber e o conhecimento, a produtividade e o consumismo, tão ao gosto das sociedades ocidentais modernas, parecem ser alvos do desprezo da poesia de Barros. O poeta inverte os valores da modernidade, o que parece lixo, descarte, para ele, é o que de mais precioso há na poesia: “As coisas sem importância são bens da poesia” (verso de “Matéria da poesia”). Os versos livres de Manoel de Barros rompem com o que é considerado padrão e brincam com a linguagem, provocando e desafiando o leitor. Nada mais apropriado às possibilidades de abertura que só a arte literária é capaz de apresentar em toda a sua plenitude.

A poesia de Manoel de Barros é moderna e por isto mesmo também se caracteriza por se voltar para ela própria. Ou seja, seu eu lírico frequentemente reflete sobre a principal matéria prima da arte literária, no caso, a linguagem. A metatextualidade é um forte componente da sua poesia. A exemplo do poema VII do “Livro das ignorãças”: “Em poesia que é voz de poeta, que é a voz/ de fazer nascimentos–/ O verbo tem que pegar delírio”. Em entrevista a André Luís Barros, do Jornal do Brasil, perguntado sobre qual o tema do poeta, ele discorre: “O tema do poeta é sempre ele mesmo. Ele é um narcisista: expõe o mundo através dele mesmo. Ele quer ser o mundo, e pelas inquietações dele, desejos, esperanças, o mundo aparece. Através de sua essência, a essência do mundo consegue aparecer. O tema da minha poesia sou eu mesmo e eu sou pantaneiro. Então, não é que eu descreva o Pantanal, não sou disso, nem de narrar nada”.

Assim, a literatura de Manoel de Barros abre para quem dela usufrui, seja por deleite ou com o objetivo de pesquisa, um leque amplo de possibilidades de análise. E é esta a proposta dessa nova Edição da Revista Entrelaces, do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC). Uma justa homenagem aos 100 anos de nascimento desse grande poeta brasileiro.

Vol 1, No 7 (2016): Nacionalismo em suas Diversas Formas

No universo cultural, a ideia de nacionalismo sempre teve peso dois, pois foi o caminho pelo qual artistas e intelectuais enveredaram para, através de suas obras e de sua força de expressão, buscar o fortalecimento diante de outras nações, sua independência ou autonomia na jurisdição do pensamento. Nesse âmbito, no Brasil, as manifestações remontam ao século XIX. O período foi marcado por um sentimento nacionalista motivado, em especial, pela independência, em 1822. Os artistas e intelectuais, ditos “românticos”, voltaram-se para si mesmos, e neste “si” estavam inseridas as concepções de nação, pátria, território. É exemplo dessa exaltação o enlevo poético de Gonçalves Dias, o sentimento nostálgico de Álvares de Azevedo e Fagundes Varela, o engajamento social de Castro Alves, o compromisso intelectual e alegórico de José de Alencar, que pretendia com seu projeto literário uma espécie de mapeamento étnico-cultural do Brasil. Buscava-se a identificação do país com suas raízes mais profundas, históricas, linguísticas e culturais. O sentimento nacionalista é retomado décadas depois, no campo das ideias, com a Semana de Arte Moderna, liderada principalmente por Oswald de Andrade e Mário de Andrade, que compunham o Grupo dos Cinco, juntamente com Anita Malfati, Tarsila do Amaral e Menotti Del Picchia, além da participação de dezenas de intelectuais e artistas, como Manuel Bandeira, Graça Aranha, Di Cavalcanti, Guilherme de Almeida e outros. Várias obras, movimentos, revistas e manifestos grassaram o cenário intelectual com propostas radicais de novos modelos de expressão, cada um com sua forma distinta de apresentar o “nacionalismo”: revista Klaxon, movimentos Pau-Brasil, Verde-Amarelismo, Anta. A Antropofagia, inspirada nos rituais dos índios brasileiros de devorar o inimigo para se apropriar de sua força, proposta por Oswald de Andrade, propõe o devoramento simbólico da cultura estrangeira, sem com isso abdicar da identidade local. Para este número, então, a Entrelaces traz à discussão este tema que sempre provoca questionamentos nas páginas acadêmicas: “Nacionalismo em suas diversas formas”.

Equipe Editorial da Revista Entrelaces


2015

Vol 1, No 6 (2015): Travessias da Seca

Neste ano, completa-se o primeiro centenário da Seca de 1915, que, embora não tenha sido mais longa nem mais devastadora que a de 1877, ficou bastante conhecida através do romance de estreia da jovem Rachel de Queiroz. “É homem”, teria dito um incrédulo Graciliano Ramos, ao findar a leitura d’O Quinze. Anos mais tarde, o autor de Vidas Secas confessaria: “Durante muito tempo, ficou-me a ideia idiota de que ela era um homem, tão forte estava em mim o preconceito que excluía as mulheres da literatura”. A esta época, excetuando-se A Bagaceira, não havia literatura no nordeste. Graciliano só lançaria seu primeiro romance, Caetés, em 1933. O Quinze, lançado em 1930 e ambientado no sertão cearense, pintou de cinza e negro o que outrora fora verde. “Dignai-vos ouvir nossas súplicas, ó castíssimo esposo da Virgem Maria, e alcançai o que rogamos. Amém.” O lamento de Dona Inácia, na abertura do romance, era o mesmo que o sertanejo sedento e faminto dirigia a São José. A fé no Padroeiro consolava e enchia de esperança os aflitos corações. Os relatos d’O Quinze revelaram para o resto do País aquilo que somente os habitantes locais sabiam. “Conceição passava agora quase o dia inteiro no Campo de Concentração, ajudando a tratar, vendo morrer às centenas as criancinhas lazarentas e trôpegas que as retirantes atiravam no chão, entre montes de trapos, como um lixo humano que aos poucos se integrava de todo no imundo ambiente onde jazia”. A existência de Campos de Concentração no Ceará é a lembrança mais cruel da Seca de 1915. Criados para isolar e impedir o deslocamento dos campesinos para as cidades, principalmente, para Fortaleza, estes “alojamentos” serviram para aumentar assustadoramente o sofrimento destes. Descritos como local de apoio e alojamento, esses campos logo ficaram conhecidos como “os currais do Governo”. A população faminta ficava amontoada, sem higiene alguma, e morriam “às centenas” como seria, posteriormente, descrito n’O Quinze. Toda uma geração de escritores tratou do tema da seca e revelou aos olhos de muitos um mundo até então oculto. Neste número, a Revista Entrelaces apresenta o tema “Dossiê Travessias de Seca” em homenagem à escritora Rachel de Queiroz.

Equipe Editorial da Revista Entrelaces

Vol 1, No 5 (2015): A Literatura do Sertão: Diálogos e Intertextos no Regionalismo

Entrelaces – Revista de publicação eletrônica semestral, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Ceará. Publica trabalhos na área de Literatura Comparada, produzidos por professores e alunos de pós-graduação, abrangendo diversas linhas de pesquisa, sob a forma de artigos científicos inéditos. 

O Corpo Editorial da Entrelaces é formado por alunos do Programa de Pós-Graduação em Letras e professores da Universidade Federal do Ceará. O Conselho Consultivo congrega professores do PPGLetras-UFC e docentes de outras universidades.

2014

Vol 1, No 4 (2014): Temática Livre

Entrelaces – Revista de publicação eletrônica semestral, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Ceará. Publica trabalhos na área de Literatura Comparada, produzidos por professores e alunos de pós-graduação, abrangendo diversas linhas de pesquisa, sob a forma de artigos científicos inéditos. Nesta edição, a revista traz textos de temática livre.

2013

Vol 1, No 3 (2013): Temática Livre

Entrelaces – Revista de publicação eletrônica semestral, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Ceará. Publica trabalhos na área de Literatura Comparada, produzidos por professores e alunos de pós-graduação, abrangendo diversas linhas de pesquisa, sob a forma de artigos científicos inéditos. 

O Corpo Editorial da Entrelaces é formado por alunos do Programa de Pós-Graduação em Letras e professores da Universidade Federal do Ceará. O Conselho Consultivo congrega professores do PPGLetras-UFC e docentes de outras universidades.

Vol 1, No 2 (2013): Literatura: a obra entre a crítica e a arte

Entrelaces – Revista de publicação eletrônica semestral, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Ceará. Publica trabalhos na área de Literatura Comparada, produzidos por professores e alunos de pós-graduação, abrangendo diversas linhas de pesquisa, sob a forma de artigos científicos inéditos. 

O Corpo Editorial da Entrelaces é formado por alunos do Programa de Pós-Graduação em Letras e professores da Universidade Federal do Ceará. O Conselho Consultivo congrega professores do PPGLetras-UFC e docentes de outras universidades.

Vol 1, No 1 (2013): A Literatura e Suas Relações

Entrelaces – Revista de publicação eletrônica semestral, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Ceará. Publica trabalhos na área de Literatura Comparada, produzidos por professores e alunos de pós-graduação, abrangendo diversas linhas de pesquisa, sob a forma de artigos científicos inéditos. 

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2008

Vol 1, No 1 (2008): Entrelaces

Entrelaces – Revista de publicação eletrônica semestral, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Ceará. Publica trabalhos na área de Literatura Comparada, produzidos por professores e alunos de pós-graduação, abrangendo diversas linhas de pesquisa, sob a forma de artigos científicos inéditos. 

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2007

Vol 1, No 1 (2007): Entrelaces

Entrelaces – Revista de publicação eletrônica semestral, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Ceará. Publica trabalhos na área de Literatura Comparada, produzidos por professores e alunos de pós-graduação, abrangendo diversas linhas de pesquisa, sob a forma de artigos científicos inéditos.

O Corpo Editorial da Entrelaces é formado por alunos do Programa de Pós-Graduação em Letras e professores da Universidade Federal do Ceará. O Conselho Consultivo congrega professores do PPGLetras-UFC e docentes de outras universidades.


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