Edições anteriores

2018

Capa da revista

v. 1, n. 11 (2018): Temática Livre

Abril

Quando as cores se movem através dos corpos acontece de se perder de vista onde acontecem os limites. quando as cores entram em composição com a tinta de uma foto acontece uma vibração que move a paisagem de lugar, a substância do preto que começa por deixar que a sobreposição aconteça e logo há vermelho sobre o breu. acontece certa mutação quando o homem amoroso vai o convívio – dos livros, das cores. quando o giz traça sobre o corpo deste homem um gesto também amoroso ele deixa a rugosidade do papel ser vista, ele deixa com que a textura do lugar também se dê a ver no fluxo que é a cor se espalhando – ar.

a imagem, que tem nome de Abril, é um começo de abertura esperado – faz parte de uma série de ilustrações, colagens e intervenções que aconteceram por um encontro inesperado do diverso ou afetação ou amor ou qualquer mutação que isso venha a ter nos olhos de quem vê.

Fernanda Xavier Maia


2017

Capa da revista

v. 1, n. 10 (2017): Temática Livre

A ilustração foi realizada a partir da música "Bananeira", composta por João Donato e Gilberto Gil e lançada no disco Lugar Comum, de 1975.

O processo de construção da imagem parte da livre associação com a canção que nos sugere, tanto em sua letra, quanto melodicamente, uma atmosfera colorida, leve e ao mesmo tempo inusitada.

Na ilustração, a já popularizada expressão "plantar bananeira", que designa a brincadeira de ficar de cabeça para baixo, apoiando-se nos braços com as pernas mantidas suspensas no ar, se funde com a própria representação da bananeira, oferecendo apenas um dos múltiplos caminhos interpretativos oferecidos pela canção, reservando ao observador, em todo caso, a liberdade da decisão: "a bananeira, sei não, a maneira de ver/isso é lá com você".

Título: "A maneira de ver"

Técnica: aquarela, nanquim e colagem. 

Lucas Mariano de Oliveira

Capa da revista

v. 2, n. 9 (2017): Dossiê "Vidas íntimas: poéticas do Eu"

Escrever um texto é expressar algo ao mesmo tempo em que fala de si, sem escancarar, deixando transparecer. Das questões opinativas do colégio, passando pelas redações e chegando às redes sociais, em algum grau estamos a nos revelar um pouco quando escrevemos. Pensar a criação dessa capa, intitulada Janela de Si, envolveu várias pessoas, ideias e inquietações e traz como ideia principal pensar a escrita de si como abertura para o mundo.

Quando escrevo um texto, mostro mais sobre quem sou e dou abertura aos possíveis encontros com vários eus. Sem restringir, que suportes podem trazer à tona essa potência autobiográfica de forma mais evidente? De lado, real e palpável, temos o diário. Um pequeno caderno onde são feitas anotações sobre o dia-a-dia, coisa íntima. Fragmentos de papel indicam vários momentos escritos por alguém, compondo a paisagem com uma espécie de bricolagem de palavras recortadas, que ora trazem palavras relacionadas ao tema da publicação, ora trazem indagações pessoais.

Do outro lado, virtual e sem fim, temos as redes sociais. Espaços virtuais compostos por pessoas e instituições que interagem e criam ali. No centro das narrativas recortadas, uma questão que todos os dias nos é lançada ao navegarmos em determinada rede social para saber de nossos próximos: no que você está pensando? Escrever agora não se basta no papel. É possível falar de si e ser recompensado por isso instantaneamente, tendo como estímulo as reações inúmeras de acordo com o conteúdo. 

Abrir-se para o mundo como quem abre uma janela e olhar aquilo que ela oferece para que os olhos leiam, tendo o céu como uma dentre várias possibilidades de vista, embora ele só já seja infinito por si. 

Rodrigo Lopes

Janela de Si

v. 1, n. 9 (2017): Dossiê "Vidas íntimas: poéticas do Eu"

Escrever um texto é expressar algo ao mesmo tempo em que fala de si, sem escancarar, deixando transparecer. Das questões opinativas do colégio, passando pelas redações e chegando às redes sociais, em algum grau estamos a nos revelar um pouco quando escrevemos. Pensar a criação dessa capa, intitulada Janela de Si, envolveu várias pessoas, ideias e inquietações e traz como ideia principal pensar a escrita de si como abertura para o mundo.

Quando escrevo um texto, mostro mais sobre quem sou e dou abertura aos possíveis encontros com vários eus. Sem restringir, que suportes podem trazer à tona essa potência autobiográfica de forma mais evidente? De lado, real e palpável, temos o diário. Um pequeno caderno onde são feitas anotações sobre o dia-a-dia, coisa íntima. Fragmentos de papel indicam vários momentos escritos por alguém, compondo a paisagem com uma espécie de bricolagem de palavras recortadas, que ora trazem palavras relacionadas ao tema da publicação, ora trazem indagações pessoais.

Do outro lado, virtual e sem fim, temos as redes sociais. Espaços virtuais compostos por pessoas e instituições que interagem e criam ali. No centro das narrativas recortadas, uma questão que todos os dias nos é lançada ao navegarmos em determinada rede social para saber de nossos próximos: no que você está pensando? Escrever agora não se basta no papel. É possível falar de si e ser recompensado por isso instantaneamente, tendo como estímulo as reações inúmeras de acordo com o conteúdo. 

Abrir-se para o mundo como quem abre uma janela e olhar aquilo que ela oferece para que os olhos leiam, tendo o céu como uma dentre várias possibilidades de vista, embora ele só já seja infinito por si.

Rodrigo Lopes


2016

Capa da revista

v. 1, n. 8 (2016): 100 anos de Manoel de Barros: poesia da simplicidade

A imagem de capa desta edição de Entrelaces, intitulada “Plumagens de Pipa”, é composta de traços multicolores, representando a ludicidade da poesia que tem como fonte a experiência onírica trazida pela memória infante.

Os traços criam, nas bordas, entrecruzamentos, assim como os versos se cruzam para a existência dum poema. O fundo azul rememora os sonhos compostos de anil, onde voam os olhares de crianças. Ao centro do desenho, uma sugestão de pluma semiformada, lembrando também um “P” ao avesso.

A pipa e a pluma são símbolos de leveza e liberdade, sensações encontráveis em qualquer leitura de poemas do poeta homenageado: Manoel de Barros. Em celebração aos seus 100 anos, todos os voos de poesia

Weslley Almeida

Capa da revista

v. 1, n. 7 (2016): Nacionalismo em suas Diversas Formas

A imagem da capa desta edição de Entrelaces é uma aquarela elaborada especialmente para a revista. A composição tem formas geométricas ao fundo, em disposição que lembra os mosaicos. Sobre essas áreas previamente pinceladas, a aquarela líquida foi aplicada a bico de pena, com efeito texturizado de hachuras. Como se trata de síntese alegórica do nacionalismo, a composição recupera alguns ícones da construção de nossa identidade nacional, sobretudo na fase modernista. Assim, com o uso das tintas de nossa bandeira e a cor de nossa mestiçagem, propus uma mescla entre o geométrico e o orgânico. Os pequenos módulos geométricos tanto recuperam as formas das bandeirinhas de Volpi, na parte superior da composição, como as colunas de Niemeyer, que formam a base do trabalho. Sobre esses elementos geométricos, destaca-se uma referência ao Abaporu, de Tarsila do Amaral, obra que é símbolo modernista de nossa antropofagia cultural.

José Leite Jr.


2015

Capa da revista

v. 1, n. 6 (2015): Travessias da Seca

O trabalho que ilustra este número da Entrelaces é uma aquarela. Faz parte de uma série, que denomino “Paisagens do sertão”. A aquarela líquida permitiu unir a suavidade da pincelada ao efeito de textura do bico de pena. A pincelada sugere o solo árido, no primeiro plano, e o céu com nuvens promissoras, ao fundo. Em contraste com esses efeitos do pincel, aparece a imagem da árvore sem folhas, com sombras que se confundem com raízes, e a longa cerca, em perspectiva que corta horizontalmente a composição. Cada elemento técnico, evidentemente, aparece no conjunto com uma função que considero simbólica. O próprio uso da aquarela, técnica em que a água é essencial na mescla dos pigmentos, tem relação com a necessidade de água do sertão nordestino. O contraste entre a cor quente da terra e a cor fria do céu também não é uma coincidência, já que representa o paradoxo climático de nossa região, na dialética da vida e da morte. Outro contraste é sugerido pela cerca, que, por um lado, separa a natureza da cultura, e, por outro, divide a sociedade entre proprietários e não proprietários.

José Leite Jr.





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