GÊNERO E ALTERIDADE NO NACIONALISMO IRLANDÊS

  • Raimundo Sousa Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Resumo

O anticolonialismo irlandês pautou-se na maximização de fronteiras de gênero com vistas a acentuar a hombridade dos homens gaélicos em face de sua feminização pelo colonialismo inglês, que se legitimava pela atribuição de gênero ao vínculo entre Inglaterra e Irlanda ao inscrever o império no registro masculino e a colônia no feminino. Mediante pesquisa em fontes primárias, investigamos as implicações dessa contra-estratégia na representação de mulheres subversivas que desafiavam uma matriz de gênero dual em que a masculinidade se definia em relação oposicional e complementar com a feminilidade. Tanto as feministas, que antepunham sua agenda ao nacionalismo, quanto as republicanas, que defendiam a nação antes com o rifle do que com o rosário, eram “alterizadas” pela intelligentsia nacionalista como aberrações de gênero, por meio de descrições caricaturais, que mal escamoteavam o temor de sua transgressão desestabilizar as balizas de gênero, que sustentavam o projeto de remasculinização nacional.

Biografia do Autor

Raimundo Sousa, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Doutorando em Teoria da Literatura e Literatura Comparada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
Publicado
2016-06-01