“PORQUE IGNORAVAM MINHA SOLIDÃO TANTO QUANTO EU”: SOBRE A (AUTO)BIOGRAFIA DE MAURAS LOPES CANÇADO

Stephanie Caroline Ferreira de Lima, Aluísio Ferreira de Lima

Resumo


O presente manuscrito trata de uma análise da narrativa de Maura Lopes Cançado no livro “Hospício é deus: Diário I”, publicado originalmente em 1965. Para tanto, foi realizada a articulação da leitura cuidadosa do diário autobiográfico com os referenciais teóricos relacionados à Psicologia Social, em especial, as contribuições de Theodor W. Adorno, Giorgio Agamben e Judith Butler. Em forma de ensaio, o artigo foi dividido em quatro partes, nas quais são apresentados: a) a contextualização do diário; b) a (auto)biografia de Maura Lopes Cançado; c) as narrativas acerca da condição do internamento no Hospital Gustavo Riedel; e d) as considerações acerca do que se pode apreender com a narrativa da autora. Esse itinerário permitiu a discussão da precariedade experienciada por Maura Cançado enquanto uma mulher que não correspondia às expectativas morais e sociais de sua época, articulada com todos os efeitos que o enquadramento psiquiátrico produziu em suas internações no hospício.


Palavras-chave


Narrativa, autobiografia, psicologia social, manicômio, Maura Lopes Cançado.

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