Ensino, filosofia e emancipação: entre Sócrates e Jacotot em O mestre ignorante

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36517/arf.v18i1.96395

Palavras-chave:

Ensino. Emancipação. Rancière. Mestre Ignorante. Jacotot. Sócrates.

Resumo

Este artigo investiga a relação entre ensino, filosofia e emancipação a partir da obra “O Mestre Ignorante”, de Jacques Rancière, e da figura de Joseph Jacotot. Partindo do conceito de emancipação intelectual e do princípio da igualdade das inteligências, propõe-se um diálogo crítico com a tradição platônica, particularmente com a alegoria da Caverna e o método socrático presente no “Mênon”. O trabalho estrutura-se em três momentos: primeiro, examina-se a distinção entre emancipação e embrutecimento no processo educativo, demonstrando como a pedagogia explicadora institui um círculo de impotência ao pressupor a desigualdade das inteligências; segundo, analisa-se a figura de Sócrates como mestre, investigando a ambiguidade de seu papel — ora embrutecedor do escravo, ora condutor de Mênon à aporía — e questionando se a refutação socrática constitui genuína emancipação ou forma velada de condução da inteligência alheia; terceiro, revisita-se a alegoria da Caverna sob a perspectiva da emancipação, distinguindo os diferentes tipos de mestres que nela figuram. Conclui-se que, embora a emancipação social permaneça problemática, a emancipação intelectual individual é possível quando se parte do princípio da igualdade das inteligências, abrindo caminhos para que cada indivíduo trilhe suas próprias aventuras intelectuais.

Biografia do Autor

  • Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes, Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro (IFTM)

    Professor efetivo de filosofia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro (IFTM), membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação Tecnológica do IFTM (Mestrado Profissional, Doutorado Profissional e Pós-doutorado) e do Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica em Rede Nacional (ProfEPT). Possui pós-doutorado em história política pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGH/UERJ - 2020), doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Lógica e Metafísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGLM/UFRJ - 2017), mestrado pelo PPGLM/UFRJ (2011), graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Bacharelado e Licenciatura - 2010) e graduação em Comunicação Social - Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA - 2006). Tem experiência nas áreas de Filosofia com ênfase em Ética, Filosofia Política e Filosofia da Tecnologia. Coordena o grupo de pesquisa “Ápeiron: estudos em física e metafísica”, o grupo de pesquisa “Prometeu: Filosofia Política, Tecnologia e Educação’’ e o projeto de extensão "Física Filosófica”. Atualmente é coordenador do ProfEPT.

  • Marcelo Senna Guimarães, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

    Possui graduação em História pela Universidade Federal Fluminense (2008), graduação em Filosofia pela Universidade de Brasília (1995), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002) e doutorado em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2013). Foi professor de ensino médio no Colégio Pedro II (RJ), de 1997 até 2013. Atualmente é professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e colaborador permanente do Programa de Pós Graduação em Filosofia e Ensino (PPFEN) do CEFET/RJ; Coordenador do Projeto de Extensão Filosofia na Sala de Aula/UNIRIO; e Coordenador do Curso de Licenciatura em Filosofia da UNIRIO. Membro dos Grupos de Pesquisa: Interfaces: técnica, arte e questões ético-políticas no pensamento filosófico - UNIRIO; Linguagem, artes e política - UNIRIO; Educação, pensamento e filosofia. Forças políticas do ensinar e do aprender - UERJ. Membro do comitê organizador e realizador do Fórum de Professores de Filosofia do Estado do Rio de Janeiro (2019-2020); membro do núcleo de sustentação do GT Filosofar e ensinar a filosofar da ANPOF. Tem experiência nas áreas de Filosofia e Educação, com ênfase em Ensino de Filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de filosofia, educação filosófica, filosofia no ensino médio, escola e formação.

Referências

DIELS, Hermann; KRANZ, Walther. I Presocratici. Prima traduzione integrale con testi originali a fronte delle testimonianze e dei frammenti nella raccolta di Hermann Diels e Walther Kranz. A cura di Giovanni Reale. Milano: Bompiani, 2006.

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KOHAN, Walter Omar. Sócrates e a educação: o enigma da filosofia. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

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PLATÃO. Mênon. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; Loyola, 2001.

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RANCIÈRE, Jacques. O espectador emancipado. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.

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Publicado

2026-07-14

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Artigos

Como Citar

Menezes, L. M. B. da R., & Guimarães, M. S. (2026). Ensino, filosofia e emancipação: entre Sócrates e Jacotot em O mestre ignorante. Argumentos - Revista De Filosofia, 18(1), 138-152. https://doi.org/10.36517/arf.v18i1.96395