MÍMESE E INSPIRAÇÃO EM ACARNENSES E CAVALEIROS DE ARISTÓFANES

Autores

  • Elvis Freire da Silva Universidade Federal do Ceará

    Resumo

    Em sua Poética, Aristóteles trata do conceito de mímese (mímesis) compreendendo-a como imitação de uma ação “importante e completa” (capítulo VI), ligando tal concepção especialmente aos gêneros épico e trágico. A comédia aparece de forma sutil e sempre comparada aos demais gêneros (capítulos I, III, IV, V, IX, XIV, XXII), distinguindo-se da tragédia por esta imitar os homens melhores do que o são na realidade, enquanto aquela os representaria piores (capítulo II). Dessa forma, a mímese cômica não é apropriadamente abordada por Aristóteles. A inspiração é um assunto ainda mais obscuro, tratando-se de comédia. Platão traz algumas reflexões sobre a inspiração e a arte poética em seus diálogos, especialmente em Íon, e no livro X da República, abarcando, ao mesmo tempo, a arte dramática e a pictórica sem, no entanto, debruçar-se sobre a comédia, gênero essencialmente metateatral. O objetivo deste trabalho é, assim, traçar algumas reflexões sobre a mímese e a inspiração em Acarnenses e Cavaleiros, de Aristófanes (século V a.C.), poeta que pôs em discussão as principais esferas do mundo helênico (especialmente ateniense).

    Referências

    ARISTÓTELES. Poética. Tradução, prefácio, introdução e comentário de Eudoro de SOUSA. São Paulo: Nova Cultural, 1987.

    ARISTOPHANES. Knights. The Complete Greek Drama, vol. 2. Eugene O'Neill, Jr. New York: Random House, 1938.

    COMPAGNON, Antoine. O Demônio da Teoria. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.

    CURTIUS, E. Robert. 3ª ed. Trad. As musas. In: Literatura europeia e Idade Média latina. de Teodoro Cabral. São Paulo: EdUSP, 2013.

    HOMERO. Ilíada. Trad. Frederico Lourenço. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2013.

    _______. Odisseia. Trad. Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34, 2011.

    OVÍDIO. Amores e Arte de Amar. Trad. Carlos Ascenso André. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2011.

    PLATÃO. Diálogos III: (socráticos): Fedro (ou do belo); Eutifron (ou da religiosidade); Apologia de Sócrates; Críton (ou do dever); Fédon (ou da alma). Trad. Edson Bini. São Paulo: EDIPRO, 2008.

    ______. Diálogos VI: Crátilo (ou da correção dos nomes); Cármides (ou da moderação); Laques (ou da coragem); Íon (ou da Ilíada); Menexeno (ou Oração fúnebre) .Trad. Edson Bini. São Paulo: EDIPRO, 2008.

    ______. A República. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963.

    POMPEU, Ana Maria César. Aristófanes e Platão: A Justiça na Pólis. São Paulo: Biblioteca 24horas, 2011.

    _____. A Poesia na ‘República’ de Platão In Ensaios em Estudos Clássicos. LIMA, Marinalva Vilar de. e ARAÚJO, Orlando Luiz de. (Org.). Campina Grande: EDUFCG, 2006.

    _____. Dioniso matuto: uma abordagem antropológica do cômico na tradução de acarnenses de Aristófanes para o cearensês. Curitiba: Appris, 2014.

    PROPÉRCIO, Sexto. Elegias de Sexto Propércio. Trad. Guilherme Gontijo Flores. Porto Alegre: Autêntica, 2014.

    SLATER, Niall W. Spectator Politics: metatheatre and performance in Aristophanes. Pennsylvania: University of Pennsylvania Press, 2002.

    WIMSATT, William K e BROOKS, Cleanth. Crítica Literária – Breve História. Trad. Ivette Centeno. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1971.

    Downloads

    Publicado

    2018-11-03

    Edição

    Seção

    Estudos Literários

    Como Citar

    DA SILVA, Elvis Freire. MÍMESE E INSPIRAÇÃO EM ACARNENSES E CAVALEIROS DE ARISTÓFANES. Entrelaces - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras-UFC, Fortaleza, v. 1, n. 13, p. 10–21, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/entrelaces/article/view/31477. Acesso em: 23 jul. 2026.