O ÉBÓ DO POVO NEGRO NAS ENCRUZILHADAS SERTANEJAS CEARENSES DO SÉCULO XIX.

Autores

  • Rosilene Aires
  • Francisco Amaro Gomes de Alencar

Resumo

Esse artigo tem como objetivo reconstruir os caminhos da presença negra nas vilas cearenses do século XIX. Para tanto, analisa-se a junção de pretos, mulatos e pardos nos levantamentos populacionais dos anos 1804, 1808, 1813 e 1872. Representou-se, os percentuais e a distribuição espacial do povo negro neste quatro cenários populacionais em tabelas, gráficos e mapeamentos demonstrando, que havia uma maioria populacional negra no território cearense, mesmo diante da parcialidade estatística dos levantamentos que hierarquizavam as raças. Reconhecer e espacializar a presença negra nas vilas coloniais do século XIX, ainda que, de forma aproximada devido aos dados que representam a África e seus descendentes no Ceará, ideologicamente inferiorizadas com distorções, apagamentos e exclusão de suas especificidades relacionadas a origem, religião, cultura, entre outros, é, um ato de rebeldia, de resistência e de valorização da memória do povo negro. As representações cartográficas revelam a presença negra no território do Estado do Ceará que podem ser consideradas um èbó ancestral negro que demarca as influências culturais, religiosa, gastronômica e econômicas de povos africanos e afro-brasileiros na formação socioterritorial cearense. Em se tratando da população negra da Província do Ceará, os percentuais totalizaram 55% em 1804, 56% em 1808, 61% em 1813 e 56% em 1872. Os dados revelam, ainda que parcialmente, que A distribuição populacional negra, em sua maioria escravizada, ocorreu no litoral, nas serras e nos sertões do território cearense.

Publicado

2022-01-01

Edição

Seção

XV Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação

Como Citar

O ÉBÓ DO POVO NEGRO NAS ENCRUZILHADAS SERTANEJAS CEARENSES DO SÉCULO XIX. (2022). Encontros Universitários Da UFC, 7(14), 2179. https://periodicos.ufc.br/eu/article/view/89461