O ÉBÓ DO POVO NEGRO NAS ENCRUZILHADAS SERTANEJAS CEARENSES DO SÉCULO XIX.
Resumo
Esse artigo tem como objetivo reconstruir os caminhos da presença negra nas vilas cearenses do século XIX. Para tanto, analisa-se a junção de pretos, mulatos e pardos nos levantamentos populacionais dos anos 1804, 1808, 1813 e 1872. Representou-se, os percentuais e a distribuição espacial do povo negro neste quatro cenários populacionais em tabelas, gráficos e mapeamentos demonstrando, que havia uma maioria populacional negra no território cearense, mesmo diante da parcialidade estatística dos levantamentos que hierarquizavam as raças. Reconhecer e espacializar a presença negra nas vilas coloniais do século XIX, ainda que, de forma aproximada devido aos dados que representam a África e seus descendentes no Ceará, ideologicamente inferiorizadas com distorções, apagamentos e exclusão de suas especificidades relacionadas a origem, religião, cultura, entre outros, é, um ato de rebeldia, de resistência e de valorização da memória do povo negro. As representações cartográficas revelam a presença negra no território do Estado do Ceará que podem ser consideradas um èbó ancestral negro que demarca as influências culturais, religiosa, gastronômica e econômicas de povos africanos e afro-brasileiros na formação socioterritorial cearense. Em se tratando da população negra da Província do Ceará, os percentuais totalizaram 55% em 1804, 56% em 1808, 61% em 1813 e 56% em 1872. Os dados revelam, ainda que parcialmente, que A distribuição populacional negra, em sua maioria escravizada, ocorreu no litoral, nas serras e nos sertões do território cearense.Publicado
2022-01-01
Edição
Seção
XV Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação
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Como Citar
O ÉBÓ DO POVO NEGRO NAS ENCRUZILHADAS SERTANEJAS CEARENSES DO SÉCULO XIX. (2022). Encontros Universitários Da UFC, 7(14), 2179. https://periodicos.ufc.br/eu/article/view/89461