Recordar, repetir e elaborar

o trauma da ditadura em Tony Manero e Ainda estou Aqui

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36517/92396475

Resumo

Este artigo analisa comparativamente os filmes Tony Manero (2008), de Pablo Larraín, e Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, sob a perspectiva dos estudos do trauma. Argumenta-se que ambas as obras representam modos distintos de elaboração do trauma coletivo infligido pelas ditaduras militares na América Latina. O primeiro filme se insere na lógica do acting out, ao encenar a compulsão repetitiva e o mal-estar social por meio de uma estética alegórica; o segundo filme opera no registro do working through, reelaborando o trauma do desaparecimento de Rubens Paiva pela encenação do drama familiar. A análise parte da distinção teórica proposta por Freud, reinterpretada por LaCapra, entre acting out e working through, e articula essa chave conceitual com elementos formais e de gênero fílmico. Conclui-se que os dois filmes, apesar das diferenças estilísticas e narrativas, se complementam ao abordar as múltiplas dimensões do trauma, mobilizando o público por meio de estratégias afetivas distintas.

Biografia do Autor

  • Pedro Rocha de Oliveira, Universidade Federal do Ceará

    Cineasta e pesquisador. Bacharel em Comunicação Social (UFC). Mestre em Sociologia (UFC). Investiga o cinema latino-americano contemporâneo, com ênfase nas relações entre corpo, violência e política.

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Publicado

04-11-2025

Edição

Seção

Dossiê "Sobre a Melancolia. Estranhezas entre a Estética e a Política."

Como Citar

OLIVEIRA, Pedro Rocha de. Recordar, repetir e elaborar: o trauma da ditadura em Tony Manero e Ainda estou Aqui. Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, v. 16, n. 1, p. 167–178, 2025. DOI: 10.36517/92396475. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/passagens/article/view/95930. Acesso em: 3 abr. 2026.