A desumanização do negro no cinema de animação da Disney
uma análise de Um Espião Animal
DOI:
https://doi.org/10.36517/psg.v16i.93287Palabras clave:
Desumanização , Negro na Disney , Racismo estrutural , Racismo recreativo, Cinema EurocêntricoResumen
O racismo subsiste nas sociedades ocidentais e democráticas e, eventualmente, está velado em seus produtos midiáticos. Essa investigação analisa como o filme de animação Um Espião Animal (2019) da Disney, perpetuou a desumanização do corpo do homem negro, em pleno século XXI, além de discutir a representação racial no universo da Indústria Cultural e no cinema eurocêntrico. O estudo tratou seu material empírico a partir do método da análise fílmica, com dados coletados através de pesquisa bibliográfica e documental. Um resgate acerca da Cultura de massa, poder, Racismo estrutural e Racismo Recreativo, sob o pano de fundo da história das lutas do movimento negro estadunidense, auxiliam na construção da investigação. Os resultados apontam que a animação, ainda que involuntariamente, opera processos de desumanização na representação da personagem negra, sobretudo na repetição de estereótipos clássicos somados ao estigma histórico que relaciona o negro com o universo “animal” e/ou “selvagem”. Além disso, o antropomorfismo da personagem torna-se uma ferramenta ímpar no processo de desumanização, ao desconsiderar o corpo negro plenamente humano, ideia baseada num passado escravocrata, cujos perversos postulados ainda se encontram naturalizados nas mentalidades e na estrutura social contemporânea, confirmando privilégios comuns da branquitude.
Palavras-chave: Desumanização; Negro na Disney; Racismo estrutural; Racismo recreativo; Cinema Eurocêntrico;
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