A imagem e o irrepresentável

o luto como dissensualidade estética na obra de Cândido Portinari

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.36517/88xnag68

Resumen

Este artigo analisa a obra Criança Morta (1944), de Cândido Portinari, a partir das contribuições de Freud, Judith Butler, Jacques Rancière e Georges Didi-Huberman, com o objetivo de compreender o luto como operação estética e política. Parte-se da hipótese de que a imagem não representa apenas uma perda individual, mas inscreve, no campo sensível, corpos historicamente marginalizados, produzindo um dissenso visual que resiste ao apagamento. A pintura é lida como dispositivo de memória que, ao recusar o consolo ou a mediação simbólica, ativa uma ética do olhar fundada na permanência da dor. Ao articular psicanálise, filosofia política e teoria da imagem, argumenta-se que o luto — especialmente aquele recusado pelo Estado e pelas instituições — pode operar como gesto de resistência contra as hierarquias que determinam quais vidas merecem ser enlutadas. A imagem de Portinari não estetiza a dor, mas a denuncia como efeito de uma política de exclusão e morte. Ao tensionar os limites do visível, Criança Morta instaura uma ruptura perceptiva e propõe uma política da imagem em que o luto não se encerra: sobrevive como ruído, como espectro e como insistência ética.

 

Biografía del autor/a

  • Francielle Czarneski, Universidade Tuiuti do Paraná

    Mestra em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná (2025), com pesquisa sobre iconoclastia contemporânea e disputas simbólicas em torno das imagens de Marielle Franco. Graduada em História (2021) e Artes Visuais (2014), desenvolve estudos em história da arte e estética, com foco nas relações entre arte e sobrevivência cultural.

Publicado

2025-11-04

Número

Sección

Dossiê "Sobre a Melancolia. Estranhezas entre a Estética e a Política."

Cómo citar

CZARNESKI, Francielle. A imagem e o irrepresentável: o luto como dissensualidade estética na obra de Cândido Portinari. Passagens: Revista del Programa de Posgrado en Comunicación de la UFC, Fortaleza, CE, v. 16, n. 1, p. 268–285, 2025. DOI: 10.36517/88xnag68. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/passagens/article/view/95826. Acesso em: 3 apr. 2026.