“Não é Pé na Cova, é Residencial Jardim Aulídia”: estigma e ressignificação simbólica em um conjunto habitacional do Programa Minha Casa Minha Vida em Açailândia.
DOI:
https://doi.org/10.36517/rcs.v57i.97025Palavras-chave:
Minha Casa Minha Vida, , estigma territorial , Habitação popular , Açailândia , políticas públicas.Resumo
Este artigo analisa como moradores do Conjunto Habitacional Jardim Aulídia, implantado pelo Programa Minha Casa Minha Vida em Açailândia/MA, enfrentam e ressignificam processos de estigmatização territorial. A pesquisa trata-se de uma etnografia realizada entre 2022 e 2024, e mobilizou observação flutuante, observação direta, entrevistas, conversas informais, registros fotográficos e acompanhamento de grupos de aplicativos de mensagens. Partindo da constatação de que o bairro, popularmente denominado “Pé na Cova”, é associado à violência, ao perigo e à degradação social, o estudo examina as estratégias mobilizadas pelos moradores para contestar tais classificações. Em diálogo com as contribuições teóricas de Erving Goffman e com a noção de reendereçamento do estigma, argumenta-se que a valorização da denominação “Residencial Jardim Aulídia”, a produção de hierarquias internas e as transformações realizadas nas moradias constituem mecanismos de distinção social e reconstrução simbólica do território. Ao evidenciar as disputas em torno das representações do espaço habitado, o artigo contribui para os estudos urbanos e habitacionais ao demonstrar como o estigma territorial é negociado, deslocado e reelaborado no cotidiano dos moradores.
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