A MEMÓRIA VIVA DE JORGE SEMPRUN

Guilherme Azambuja Castro

Resumo


Somente passados mais do que cinquenta anos de sua libertação do campo de concentração nazista de Buchenwald, Alemanha, que o escritor espanhol Jorge Semprun conseguirá narrar sua vivência no campo, ou melhor, a vivência do horror. Em 1994, portanto, Semprun publica o romance A escrita ou a vida, que cumpre esse papel. Tanto no romance como em entrevistas posteriores, Semprun informa que o livro foi escrito em parte graças à opção autoral de ficcionalizar a sua vivência no campo de concentração. No caso de Jorge Semprun, narrar o trauma significaria a destruição da sua capacidade de linguagem? Seria a ficção a alternativa do autor para preservar essa memória do horror? Propomos, neste artigo, um trabalho de reflexão sobre a chamada “literatura do trauma”, com base na teoria de Henry Bergson e Maurice Halbwachs, entre outros, sobre a memória individual e coletiva, a partir da leitura crítica do romance A escrita ou a vida de Jorge Semprun.


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Referências


BERGSON, H. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

CANDAU, J. Memoria e Identidade. São Paulo: Contexto, 2016.

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TAVARES, F. Memórias do esquecimento. Porto Alegre: L&PM, 2012.


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Entrelaces - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFC

ISSN: 1980-4571

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