MEMÓRIA E CRIAÇÃO EM MANOEL DE BARROS

Suzel Domini dos Santos

Resumo


O presente artigo tem por propósito apresentar uma leitura crítica da ficcionalização da memória na poesia de Manoel de Barros, concentrando-se, especificamente, em um poema que integra a terceira parte de O livro das ignorãças, de 1993. Entre os recursos utilizados pelo poeta na composição do universo de linguagem singular que caracteriza sua obra, destacamos a rememoração como meio de elaboração de um eu poético, bem como de um espaço natural que promove a desreferencialização do Pantanal mato-grossense. Manoel de Barros se vale da lembrança de situações vividas por ele, especialmente no período da infância, como matéria de poesia, tomando aquilo que se conserva na memória como material apto à construção de uma realidade outra, ficcional. Enlaçando esse material à reflexão metalinguística, Manoel de Barros arquiteta uma linguagem que se debruça sobre si mesma, uma linguagem que se incumbe de revelar e defender uma assinatura poética.       


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Referências


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SÓ DEZ por cento é mentira: a desbiografia oficial de Manoel de Barros. Direção: Pedro Cezar. Produção: Pedro Cezar, Kátia Adler e Marcio Paes. [S.l.]: Artezanato Eletrônico, 2008, 1 DVD (81min).


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Entrelaces - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFC

ISSN: 1980-4571

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