Andread Jó e a Nova Produção Independente em Fortaleza/CE: reflexões sobre a indústria fonográfica em tempos de ciberespaço

  • Tássio Ricelly Pinto de Farias Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar – FACEP
  • Jean Henrique Costa Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
Palavras-chave: Nova Produção Independente – NPI, Ciberespaço, Redes, Reggae, Andread Jó

Resumo

Este trabalho discute a atual – e constante – reestruturação dos mercados musicais analisando, especialmente, o impacto causado pela revolução das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e o advento da Cibercultura, entendida como novo modo de reprodutibilidade dos bens culturais. Argumenta-se que a desmaterialização da música, unida ao processo de difusão em rede (via Internet), suscitaram novos hábitos de produção, circulação e consumo no negócio da música. O objeto desta pesquisa recai sobre o estudo de caso realizado com Andread Jóreggeiro autônomo da cidade de Fortaleza-CE. Conclui-se que, se por um lado deve-se analisar o mercado musical de forma ‘dual’ (indiesmajors), por outro, percebe-se que ‘dentro’ do mainstream busca-se adotar as estratégias que ‘de fora’ surtiram efeito de diferencial estratégico, entre elas, a comercialização da música via streaming e a utilização de outros serviços de música online. Sociologicamente as estruturas do mercado se dinamizam e, relacionalmente, atores sociais distintos se conectam numa rede dinâmica, plural e aberta de possibilidades de negócios no campo da chamada “música independente”. O resultado pode ser expresso em maior possibilidade de acesso ao mercado de bens culturais, tanto por parte dos músicos, quanto pelos ouvintes.

Biografia do Autor

Tássio Ricelly Pinto de Farias, Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar – FACEP
Mestrando em Ciências Sociais e Humanas (PPGCISH/UERN). Professor da Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar – FACEP
Jean Henrique Costa, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
Doutor em Ciências Sociais (UFRN). Professor da '

Referências

ADORNO, Theodor W. O fetichismo na música e a regressão da audição. In. Theodor W. Adorno: textos escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1996. (Coleção Os Pensadores).

________. A indústria cultural. In: COHN, Gabriel. Comunicação e indústria cultural. São Paulo: Companhia Editora Nacional; Editora da Universidade de São Paulo, 1971.

________; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Tradução de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1985.

ALBORNOZ, Luiz A.; GALLEGO, J. Ignácio. Setor da música... independente? Apontamentos sobre a trama empresarial espanhola. In. HERSHMANN, Micael (org.). Nas bordas e fora do mainstream musical. Novas tendências da música independente no início do século XXI. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011. p. 87-104.

ANDREAD JÓ. Entrevista concedida acerca das estratégias de comercialização de música online. Entrevistador: Tássio Ricelly Pinto de Farias. Fortaleza/CE, 25. Set. 2014.

ANDREAD JÓ. Site próprio. Disponível em: < http://andreadjo.com/ >. Acesso em: 22 fev. 2015.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. v.1. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

________. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.

COSTA, J. H. Indústria cultural e forró eletrônico no Rio Grande do Norte. 2012. 308f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2012.

________; FARIAS, T. R. P. Indústria cultural, cibercultura e música independente em Brasília: um estudo com as bandas ‘Amanita’ e ‘Feijão de Bandido’. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, Maringá, v. 36, n. 1, p. 9-17, Jan.-June, 2014.

DUARTE, Rodrigo. Indústria cultural e meios de comunicação. São Paulo: Ed. WMF Martins Fontes, 2014. (Coleção Filosofias: o prazer do pensar).

DE MARCHI, Leonardo. A Nova Produção Independente: Indústria Fonográfica brasileira e Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação. 2006. 151f. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2006.

________. Discutindo o papel da produção independente brasileira no mercado fonográfico em rede. In. HERSHMANN, Micael (org.). Nas bordas e fora do mainstream musical. Novas tendências da música independente no início do século XXI. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011. p. 145-163.

DOWD, Timothy J. 2007. The Sociology of Music. In. 21st Century Sociology: A Reference Handbook (Volume 2), Edited by Clifton D. Bryant and Dennis L. Peck. Thousand Oaks, CA: Sage, p. 249-260, 440 and 505-512.

FARIAS, T. R. P. A Indústria Cultural na Contemporaneidade: uma introdução. Saarbrücken: OmniScriptum GmbH & Co. KG (Novas Edições Acadêmicas), 2015.

FAVARETO, A. S.; ABRAMOVAY, R.; MAGALHÃES, R. As estruturas sociais de um mercado aberto: o caso da música brega do Pará. In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS, 31., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: Anpocs, 2007. p. 1-27.

GABBAY, M. M. O tecnobrega no contexto do capitalismo cognitivo: uma alternativa de negócio aberto no campo performático e sensorial. E-Compós, v. 9, n. 2, p. 1-15, 2007.

HERSCOVICI, A. Economia imaterial, novas formas de concorrência e lógicas sociais não mercantis: uma análise dos sistemas de troca dos arquivos musicais. In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO DOS CENTROS DE PÓSGRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO, 16., 2007, Curitiba. Anais... Curitiba: Compós, 2007. p. 1-18.

JANOTTI JR., J. S.; GONÇALVES, S. M. D.; PIRES, V. A. N. Wado, um ilustre desconhecido nos novos tempos da indústria musical. In. HERSHMANN, Micael (org.). Nas bordas e fora do mainstream musical. Novas tendências da música independente no início do século XXI. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011. p. 355-374.

LEMOS, André. Os sentidos da tecnologia: cibercultura e ciberdemocracia. In. ________; LÉVY, Pierre. O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Paulus, 2010. (Coleção comunicação).

________; LÉVY, Pierre. O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Paulus, 2010. (Coleção comunicação).

LÉVY, Pierre. A mutação inacabada da esfera pública. In. ________; LEMOS, André. O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Paulus, 2010. (Coleção comunicação).

________. Cibercultura. São Paulo: 34, 1999.

MARTINS, G. P. C. A cibercultura e a reprodutibilidade técnica da música. In: ENCONTRO NORTE E NORDESTE DE CIÊNCIAS SOCIAIS PRÉ-ALAS, 15., 2012, Teresina. Anais... Teresina: Pré-alas, 2012. p. 1-15.

MELO, O. B.; CASTRO, O. Apropriação de tecnologias e produção cultural: inovações em cenas musicais da região Norte. In. HERSHMANN, Micael (org.). Nas bordas e fora do mainstream musical. Novas tendências da música independente no início do século XXI. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011. p. 185-208.

MISKOLCI, Richard. Novas conexões: notas teórico-metodológicas para pesquisas sobre o uso de mídias digitais. Cronos: R. Pós-Grad. Ci. Soc. UFRN, Natal, v. 12, n.2, p. 09-22, jul./dez. 2011.

PÉREZ, Juan Ignácio Gallego. Novas formas de prescrição musical. In. HERSHMANN, Micael (org.). Nas bordas e fora do mainstream musical. Novas tendências da música independente no início do século XXI. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011. p. 47-60.

SANTOS, Fabio Abreu. Produção e consumo do reggae das radiolas em São Luís/MA: significados, simbolismos e aspectos mercadológicos. 2009. 247f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009.

YÚDICE, George. Apontamentos sobre alguns dos novos negócios da música. In. HERSHMANN, Micael (org.). Nas bordas e fora do mainstream musical. Novas tendências da música independente no início do século XXI. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011. p. 19-45.

Publicado
2016-04-19