Admiração filosófica: origem conceitual, critérios procedimentais e resistência ao óbvio

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36517/arf.v18i1.96526

Palavras-chave:

Admiração. Maravilhamento. Conceito. Procedimentos. Filosofar. Obviedade.

Resumo

A admiração (o maravilhamento) é o ponto de partida do filosofar. No presente artigo, almejo encontrar algumas chaves hermenêuticas para compreendê-la. Para alcançar tal propósito, revisito criticamente algumas teses acerca da temática. Provém daí, primeiramente, a necessidade de reconhecer a sua origem conceitual, que remete ao arcabouço platônico-aristotélico. A seguir, reviso alguns critérios procedimentais sobre o modo como a atitude admirativa fora situada nas etapas do fazer filosófico, sem desconsiderar que a dificuldade de a designar também contribui para a ausência de um ponto de vista unânime acerca deste tópico. Em última instância, para além do enquadramento teórico da discussão, explicitado através de determinadas invariantes, a origem do filosofar, concretizada na experiência admirativa, transcende a obviedade irrefletida, pois altera substancialmente a relação humana com a totalidade do real. 

Biografia do Autor

  • Cássio Robson Alves da Silva, Universidade Federal do Ceará (UFC)

    Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Referências

AGAMBEN, G. O que é a filosofia? São Paulo: Boitempo, 2022.

ARISTÓTELES. Metafísica. Petrópolis: Vozes, 2024.

BADIOU, A. Pensar o evento. In: BADIOU, A.; ŽIŽEK, S. O presente da filosofia. Rio de Janeiro: Via Verita, 2022. p. 19-56.

BARROS, J. D. Os conceitos: seus usos nas ciências humanas. Petrópolis: Vozes, 2016.

BARROS, J. D. O uso dos conceitos: uma abordagem interdisciplinar. Petrópolis: Vozes, 2021.

BATAILLE, G. A experiência interior. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2020.

BENVENISTE, E. Le vocabulaire des institutions indo-européennes. Paris: Les Éditions de Minuit, 1969.

BERTI, E. Convite à filosofia. São Paulo: Edições Loyola, 2013.

BERTI, E. Prólogo. In: BERTI, E. No princípio era a maravilha. São Paulo: Edições Loyola, 2010. p. 8-16.

BORNHEIM, G. A. Introdução ao filosofar: o pensamento filosófico em bases existenciais. 5. ed. Porto Alegre: Editora Globo, 1980.

CABRERA, J. Diário de um filósofo no Brasil. 2. ed. Ijuí: Ed. Unijuí, 2013.

CABRERA, J. Mal-estar e moralidade: situação humana, ética e procriação responsável. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2018.

CHANTRAINE, P. Dictionnaire étymologique de la langue grecque: Histoire Des Mots. Paris: Klincksiek, 1999.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é a filosofia? 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2016.

DERRIDA, J. O direito à filosofia do ponto de vista cosmopolítico. In: GUINSBURG, J. (Org.). A paz perpétua: um projeto para hoje. São Paulo: Editora Perspectiva, 2004. p. 11-29.

ENGLER, M. R. Tó thaumázein: a experiência de maravilhamento e o princípio da filosofia em Platão. Santa Catarina. 250 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, 2011.

FOUGEYROLLAS, P. A filosofia em questão. Rio de Janeiro: Editora Paz & Terra, 1972.

FOGEL, G. Que é filosofia? – Filosofia como exercício de finitude. Aparecida: Ideias & Letras, 2009.

FOUCAULT, M. O que é o iluminismo? s./d. Disponível em: http://michelfoucault.weebly.com/uploads/1/3/2/1/13213792/iluminismo.pdf. Acesso em: 31 jan. 2026.

GIULIANI, B. O amor da sabedoria: iniciação à filosofia. Lisboa: Instituto Piaget, 2000.

GOETZ, B. Stupeur et émerveillement: note à propos du thaumazein. 2018. Le Portique (En ligne). Disponível em: https://journals.openedition.org/leportique/4148. Acesso em: 8 set. 2025.

GUZZONI, U. O Admirável e a Filosofia. O Percevejo. 2012. Disponível em: https://seer.unirio.br/opercevejoonline/article/view/1916/1512. Acesso em: 01 dez. 2025.

HEGEL, G. W. F. As diversas formas que aparecem no filosofar dos nossos dias. In: HEGEL, G. W. F. Diferença entre os sistemas filosóficos de Fichte e Schelling. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2003. p. 33-60.

HEIDEGGER, M. Os conceitos fundamentais da metafísica: mundo, finitude, solidão. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011.

HEIDEGGER, M. Que é isto – A filosofia? In: HEIDEGGER, M. Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural, 1979. p. 13-24.

HERSCH, J. L’étonnement philosophique: une histoire de la philosophie. Paris: Gallimard, 1993.

HUSSERL, E. A filosofia como ciência de rigor. Coimbra: Editora Atlântida, 1952.

JASPERS, K. Introdução ao pensamento filosófico. São Paulo: Editora Cultrix, 2006.

KANT, I. Resposta à pergunta: O que é o esclarecimento? E outros textos. São Paulo: Penguin; Companhia das Letras, 2022.

LYOTARD, J. F. Por que filosofar? São Paulo: Parábola, 2013.

MERLEAU-PONTY, M. Elogio da filosofia. Lisboa: Guimarães Editores, 1993.

ORTEGA Y GASSET, J. O que é filosofia? Campinas: Vide Editorial, 2016.

PERINE, M. Ensaio de iniciação ao filosofar. São Paulo: Edições Loyola, 2007.

PETERS, F. E. Termos filosóficos gregos: um léxico histórico. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1983.

PIEPER, J. Que é filosofar? São Paulo: Edições Loyola, 2014.

PLATÃO. Teeteto. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; São Paulo: Edições Loyola, 2020.

PORTA, M. A. G. A filosofia e seus problemas. 4. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2014.

ROSSET, C. Le démon de la tautologie. Paris: Les Éditions de Minuit, 1997.

SALLIS, J. Le lieu de l’étonnement. Noesis [En ligne], 2009. Disponível em: http://journals.openedition.org/noesis/1528. Acesso em: 06 jun. 2025.

SCHOPENHAUER, A. O mundo como vontade e representação. Tomo II. São Paulo: Editora UNESP, 2015.

SOUZA, R. T. Sobre a construção do sentido. São Paulo: Editora Perspectiva, 2003.

VASSALLO, A. ¿Qué es filosofia? o de una sabiduria heroica. Buenos Aires: Editorial Losada, 1982.

WILSON, J. Pensar com conceitos. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Downloads

Publicado

2026-07-14

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Silva, C. R. A. da. (2026). Admiração filosófica: origem conceitual, critérios procedimentais e resistência ao óbvio. Argumentos - Revista De Filosofia, 18(1), 7-29. https://doi.org/10.36517/arf.v18i1.96526