Caos, acaso e vontade de potência: uma leitura nietzscheana da realidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36517/arf.v18i1.96622

Palavras-chave:

Nietzsche. Caos. Acaso. Vontade de potência. Moral.

Resumo

O presente artigo investiga a crítica de Nietzsche à noção tradicional de ordem do mundo, tomando como eixo analítico a articulação entre caos, acaso e vontade de potência. Inserido no campo da ontologia e da genealogia dos valores no pensamento nietzschiano, o estudo tem como principal objetivo demonstrar que as ideias de lei, finalidade e valor não correspondem a estruturas intrínsecas do real, mas constituem interpretações produzidas pela consciência humana diante da instabilidade do devir. O problema central consiste em questionar se o cosmos, enquanto ordem inteligível, é uma realidade objetiva ou uma construção que visa garantir segurança e previsibilidade à experiência humana. Para tanto, adota-se um método hermenêutico-analítico, de natureza qualitativa, baseado na leitura rigorosa de obras fundamentais do autor, como A Gaia Ciência, Aurora, Genealogia da Moral e fragmentos póstumos. A análise evidencia que o mundo, em Nietzsche, deve ser compreendido como um campo de forças em constante tensão, destituído de finalidade e unidade, no qual o acaso desempenha papel constitutivo. Conclui-se que a ordem é uma ficção funcional, a moral uma criação histórica e o conhecimento uma forma de interpretação, o que implica uma reconfiguração do lugar do homem como criador de sentido em um mundo sem fundamentos últimos.

Biografia do Autor

  • Arlison Frank Lisboa Alves, Secretaria de Educação de São Paulo (SEDUC – SP)

    Doutor em Filosofia (UNIFESP) e mestre em Filosofia (UFABC). Graduado em Filosofia (IESMA) e em Pedagogia (Unijales). É especialista em Ensino de Filosofia (UFSCar), Estética (UFMA) e Ética e Política (IESMA). Professor de Filosofia na Seduc-SP desde 2014 e coordenador pedagógico desde 2021. Atua no ensino e na pesquisa, com interesse nas relações entre Filosofia, educação e política. É coautor de Maia e a história atrás da capa e de Cadernos de notas e ensino de filosofia.

Referências

HESÍODO. Teogonia. Tradução de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 2000.

NIETZCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Tradução de Antônio Carlos Braga. São Paulo: Editora Escala, 2006.

NIETZCHE, Friedrich. Além do Bem e do Mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

NIETZCHE, Friedrich. Aurora: reflexões sobre os preconceitos morais. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

NIETZCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Mário da Silva. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2007.

NIETZCHE, Friedrich. A vontade de poder: tentativa de uma transvaloração de todos os valores. Tradução de Marcos Sinésio Pereira Fernandes e Francisco José Dias de Moraes. Rio de Janeiro: Contraponto, 2008.

NIETZCHE, Friedrich. Genealogia da Moral: uma polêmica. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Brasiliense, 1988.

Downloads

Publicado

2026-07-14

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Alves, A. F. L. (2026). Caos, acaso e vontade de potência: uma leitura nietzscheana da realidade. Argumentos - Revista De Filosofia, 18(1), 126-137. https://doi.org/10.36517/arf.v18i1.96622