Três versões de “Mutante” e a síntese de Rita Lee

Authors

DOI:

https://doi.org/10.22168/2237-6321-32726

Keywords:

semiótica da canção, interpretação musical, Rita Lee, Ná Ozzetti, Daniela Mercury

Abstract

A partir da hipótese de que o estilo de Rita Lee está marcado por uma tendência a circular entre opostos e atenuar tendências extremas, propomos uma análise comparativa de três versões de “Mutante”: por Rita Lee (1982), Ná Ozzetti (1996) e Daniela Mercury (2001), a fim de mostrar como se configura esse estilo “entre” de Lee, tanto na composição como na interpretação. Iniciamos com a análise do núcleo de identidade da canção (melodia e letra), segundo o modelo desenvolvido por Luiz Tatit, revelando já nesse nível uma tendência à atenuação. Em seguida, procedemos à comparação das versões, com base no parâmetro de andamento, não apenas metronômico, mas sobretudo relativo às estratégias interpretativas que geram o efeito de aceleração ou desaceleração em ambos os planos. Enquanto a versão de Ná Ozzetti é francamente passionalizante e a de Daniela Mercury atualiza os valores da aceleração, a interpretação de Rita Lee desponta como uma proposta intermediária, oferecendo a síntese sugerida no núcleo de identidade da canção. Esse equilíbrio produz um efeito de sentido de quem deixa a composição “falar por si”, conferindo um efeito de naturalidade ao enunciado. Desse modo, tanto como compositora, quanto como intérprete, Rita Lee constrói seu estilo em um duplo gesto de exploração das intensidades e apaziguamento dos excessos.

Author Biography

  • Carolina Lindenberg Lemos, Universidade Federal do Ceará
    Professora adjunta do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará. Doutora em Linguística pela Universidade de São Paulo e em Langues et Lettres pela Universidade de Liège (2015), com estágio de mobilidade internacional na Universidade de Paris VIII (2013). Mestre em Semiótica e Linguística (2010) e bacharel em Linguística (2005) pela Universidade de São Paulo. Foi professora temporária do Departamento de Linguística da USP (2016), onde realizou pesquisa de pós-doutorado em Historiografia da Linguística (2015-2016). Atualmente é lider do Semioce - Grupo de Estudos Semióticos da UFC e membro do Grupo de Estudos Semióticos da USP. É editora da revista Estudos Semióticos (USP) e foi editora da rubrica "Chroniques" da revista Signata (ULg) de 2016 a 2021. Suas publicações e seu interesse de pesquisa recaem sobre a semiótica e suas bases linguísticas.

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Published

2024-04-25

Issue

Section

2023.3: Análise discursivo-textual de canções

How to Cite

Três versões de “Mutante” e a síntese de Rita Lee. Entrepalavras, [S. l.], v. 13, n. 3, p. 97–121, 2024. DOI: 10.22168/2237-6321-32726. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/entrepalavras/article/view/99721. Acesso em: 21 sep. 2026.