Ethé discursivos de Getulio Vargas nas marchinhas Gê-Gê (1931) e O Retrato do Velho (1951)

Authors

  • Davi Costa da Silva Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
    • Raquel Abreu-Aoki Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

      DOI:

      https://doi.org/10.22168/2237-6321-32699

      Keywords:

      Análise do Discurso, discurso político, ethos discursivo, marchinha, Getulio Vargas.

      Abstract

      O objetivo deste trabalho é analisar discursivamente as marchinhas Gê-Gê (Seu Getulio), de Lamartine Babo, e O Retrato do Velho, de Haroldo Lobo e Marino Pinto, identificando e demonstrando os ethé, imagens projetadas para Getulio Vargas (GV) nessas canções. Compostas em 1931 e 1951, respectivamente, as marchinhas se inserem em contextos políticos distintos, os quais ensejaram construções de ethé para Getulio Vargas adequados à necessidade histórico-discursiva de cada momento. Do ponto de vista teórico, este trabalho dialoga, sobretudo, com a Teoria Semiolinguística do Discurso e o ethos político de Patrick Charaudeau (1994; 2004; 2014; 2018). Nesses trabalhos, o autor situa o ethos como uma estratégia de persuasão que condiciona a adesão do público à figura e aos ideais de um dado político, o que coloca o ethos em posição de centralidade no discurso político. A análise discursiva do corpus apontou que foram traçados os ethé de moderno, patriota e revolucionário na marchinha Gê-Gê (Seu Getulio), e os ethé de chefe, popular, carismático e experiente na marchinha O Retrato do Velho. Embora produzidos em uma instância cidadã, esses discursos reiteram ideias normalmente advindas de uma instância política, uma vez que incorporam o discurso oficial da época e delineiam ethé positivos e elogiosos para o presidente Getulio Vargas.

      Author Biographies

      • Davi Costa da Silva, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
        Especialista em Língua Portuguesa: Teorias e Práticas de Ensino de Leitura e Produção de Texto pela Universidade Federal de Minas Gerais (2023) e Licenciado em Letras - Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2021). 
      • Raquel Abreu-Aoki, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

        Professora Adjunto da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).Pós-doutoranda no Programa de pós-graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP)

      References

      ABREU-AOKI, R. L. A construção narrativo-argumentativa da imagem de um presidente na biografia Getulio Vargas para crianças. Belo Horizonte, 2012. 206 p. Dissertação (Mestrado em Linguística do Texto e do Discurso) - Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais.

      ABREU-AOKI, R. L. Getulio Vargas encadernado: a construção narrativo-argumentativa da imagem do estadista em Getulio Vargas, meu Pai. Belo Horizonte, 2016. 249 p. Tese (Doutorado em Linguística do Texto e do Discurso) - Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais.

      ALBIN, R. C. ALMIRANTE (Henrique Foréis Domingues). In: Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin, 2021. Disponível em: <https://dicionariompb.com.br/artista/almirante/>. Acesso em: 06 abr. 2023.

      ALBIN, R. C. FRANCISCO ALVES (Francisco Morais Alves). In: Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin, 2021. Disponível em: <https://dicionariompb.com.br/artista/francisco-alves/>. Acesso em: 08 abr. 2023.

      ALBIN, R. C. HAROLDO LOBO (Haroldo Lobo). In: Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin, 2021. Disponível em: <https://dicionariompb.com.br/artista/haroldo-lobo/>. Acesso em: 06 abr. 2023.

      ALBIN, R. C. MARINO PINTO (Marino do Espírito Santo Pinto). In: Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin, 2021. Disponível em: <https://dicionariompb.com.br/artista/marino-pinto/>. Acesso em: 06 abr. 2023.

      AMOSSY, R. Imagens de si no discurso: a construção do ethos. Trad.

      Dílson Ferreira da Cruz, Fabiana Komesu e Sírio Possenti. São Paulo:

      Contexto, 2016.

      ARISTÓTELES. Retórica. Trad. Manuel Alexandre Júnior, Paulo Farmhouse Alberto e Abel do Nascimento Pena. 2. ed. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005 (Col. Biblioteca de Autores Clássicos).

      BABO, L. Gê-Gê (Seu Getulio). Rio de Janeiro: Parlophon, 1931. Disponível em: <https://discografiabrasileira.com.br/fonograma/48009/g-e-ge-seu-getulio>. Acesso em: 15 jun. 2023.

      CAPELATO, M. H. A propaganda política no varguismo e o peronismo: aspectos teórico-metodológicos de uma análise sobre história política. História: Questões e Debates, v. 14, n. 26/27, jan./dez. 1997, p. 196-218.

      CHARAUDEAU, P. Le contrat de communication de l’information médiatique. In: Le Français dans le Monde. Paris: Hachette/Edicef, Juillet 1994, número especial, p. 8-19.

      CHARAUDEAU, P. Visadas discursivas, gêneros situacionais e construção

      textual. In: MACHADO, I. L. & MELLO, R. (Orgs.) Gêneros: Reflexões em

      Análise do Discurso. Belo Horizonte: NAD/FALE/UFMG, 2004. p. 13-41.

      CHARAUDEAU, P. Linguagem e discurso: modos de organização. Trad. Ângela M. S. Corrêa & Ida Lúcia Machado. São Paulo: Contexto, 2014.

      CHARAUDEAU, P. Discurso político. Trad. Fabiana Komesu e Dilson Ferreira da Cruz. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2018.

      EMMANUEL, G. A história dos jingles políticos brasileiros. Gazeta Vargas, São Paulo, 29 maio 2022. Disponível em: <https://www.gazetavargasfgv.com/post/a-hist%C3%B3ria-dos-jingles-pol%C3%ADticos-brasileiros>. Acesso em: 22 dez. 2023.

      FAUSTO, B. História do Brasil. 12. ed. São Paulo: EDUSP, 2006.

      GALINARI, M. M. SOBRE ETHOS E AD: TOUR TEÓRICO, CRÍTICAS, TERMINOLOGIAS. DELTA: Documentação e Estudos em Linguística Teórica e Aplicada, [S. l.], v. 28, n. 1, 2014. DOI: 10.1590/delta.v28i1.5528. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/delta/article/view/5528. Acesso em: 5 jun. 2023.

      LACERDA, C. Um ano de vida [editorial]. A Tribuna da Imprensa. 1950; 307: 4. Disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=154083_01&pasta=ano%20195&pesq=&pagfis=3465> Acesso em 06 out. 2022.

      LOBO, H; PINTO, M. O Retrato do Velho. Rio de Janeiro, Odeon, 1951. Disponível em: <https://discografiabrasileira.com.br/composicao/61914/undefined>. Acesso em: 05 jun. 2023.

      MAINGUENEAU, D. Novas tendências em Análise do Discurso. 2. ed. Campinas: Pontes, 1993.

      MAINGUENEAU, D. Ethos, cenografia, incorporação. In: AMOSSY, R. (Org.). Imagens de si no discurso: a construção do ethos. São Paulo: Contexto, 2016.

      MATSUKI, E. Cem anos do rádio no Brasil: das emissoras pioneiras até a Era de Ouro. Agência Brasil, Brasília, 20 jun. 2022. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-06/cem-anos-do-radio-no-brasil-das-emissoras-pioneiras-ate-era-de-ouro>. Acesso em: 22 dez. 2023.

      SEVERIANO, J.; HOMEM DE MELLO, Z. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras, vol. 1: 1901-1957. 6. ed. São Paulo: Editora 34, 2006.

      MÚSICAS MAIS TOCADAS EM 1951. Mais Tocadas. Disponível em: <https://maistocadas.mus.br/1951/>. Acesso em: 15 jul. 2023.

      Published

      2024-04-25

      Issue

      Section

      2023.3: Análise discursivo-textual de canções

      How to Cite

      Ethé discursivos de Getulio Vargas nas marchinhas Gê-Gê (1931) e O Retrato do Velho (1951). Entrepalavras, [S. l.], v. 13, n. 3, p. 1–22, 2024. DOI: 10.22168/2237-6321-32699. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/entrepalavras/article/view/99727. Acesso em: 21 sep. 2026.