Mão estendida aos cristãos na França e no Brasil: um olhar sobre o discurso político-eleitoral em 2010
DOI:
https://doi.org/10.22168/2237-6321.4.4.1.23-42Palabras clave:
Eleições, Religião, Política da Mão Estendida.Resumen
Este artigo lança um olhar discursivo, com base na Análise de Discurso de linha francesa (AD), referenciada em Michel Pêcheux e seus seguidores, sobre a Carta Aberta ao Povo de Deus, produzida pela candidatura petista de Dilma Rousseff à Presidência da República, no Brasil, em 2010. Parte do acontecimento discursivo a que J.J. Courtine designou de “Política da Mão Estendida”, processo que envolveu a gradativa aproximação entre a esquerda francesa e os operários católicos, na França entre 1936 e 1976, e objetiva analisar o funcionamento discursivo de seu retorno no cenário da disputa eleitoral para a Presidência da República em 2010. Em seu desenvolvimento, o trabalho contempla a análise do cenário político eleitoral a partir do conceito discursivo de condições de produção, o levantamento de um sucinto quadro teórico de referência e a descrição sumária dos episódios da vida política francesa que envolveram o acontecimento discursivo aludido por Courtine (2009), bem como atualizações sobre a Doutrina Social da Igreja Católica no mesmo período. Os resultados apontam que o retorno do acontecimento se dá por meio da memória discursiva (interdiscurso) em um processo que reflete as determinações derivadas diferentes condições de produção na França e no Brasil. Essas determinações implicam também o estabelecimento na oscilação do discurso da candidata entre diferentes posições-sujeito, resultantes dos diferentes graus de identificação do sujeito do discurso com a forma-sujeito da formação discursiva dominante.
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