Um canto entre quatro paredes: a sensualidade no investimento vocoverbal de Belchior
DOI:
https://doi.org/10.22168/2237-6321.5.5.3%20esp.10-23Palabras clave:
investimento vocal, letra de canção, sexualidadeResumen
A música popular brasileira passou, a partir da segunda metade da década de 40 até a década de 50, por um processo de “internacionalização”, ocasionado pela captação de gêneros musicais internacionais, como o bolero, pela adoção de temáticas relacionadas às relações amorosas e pela exploração das regiões mais graves da tessitura (MACHADO, 2011). Conforme a autora, nessa época, a voz se sexualiza, tornando o cantor objeto de desejo e sedução. Intentamos mostrar que Belchior, em seu terceiro e quarto LPs, intitulados Coração Selvagem e Todos os sentidos, parece também investir no apelo “sexual” da sua voz e em temáticas que o confirmem. Para a consecução desse objetivo, articulamos, com base no aporte da Análise do Discurso delineada por Maingueneau, as características vocais de Belchior com as letras de suas canções, e analisamos de modo integrado a voz cantada e a letra da canção “Sensual” (Belchior; Tuca, por Belchior, 1978), comparando-as com a gravação que Ney Matogrosso (1978) fez da mesma canção. Desse modo, chegamos aos seguintes resultados: 1) a sensualidade vocal toma parte no investimento vocal de Belchior, mostrando a consciência timbrística de que sua voz excessivamente nasal pode denotar apelos diferentes na cultura, como lamento e sensualidade; 2) a posição polêmica do cantautor transforma em investimento as condições vocais de que dispõe. Concluímos, assim, que Belchior investe apenas nos recursos vocais necessários para expressar o conteúdo das letras das canções que canta adequando-se à estética do “necessário ao conteúdo” do posicionamento no qual toma parte, Pessoal do Ceará.
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