Adestrar os corpos, civilizar os sentidos: a honra como dispositivo de controle da sexualidade no Brasil (colônia e império)

Autores/as

  • Walter de Carvalho Braga Júnior Universidade Federal do Ceará
    • Anna Paula Oliveira Sales Ferreira Braga Universidade Estadual do Ceará

      DOI:

      https://doi.org/10.22168/2237-6321.5.5.3%20esp.207-218

      Palabras clave:

      discurso, civilização, honra, sexualidade.

      Resumen

      No processo de colonização do Brasil, os europeus se depararam com uma relação corpo-sexualidade-indivíduo bem distinta daquela regida sob o olhar vigilante da Igreja Católica na Europa. A moralidade cristã, que estabelecia um distanciamento muito grande entre os indivíduos e seus corpos, com uma conduta sexual focada exclusivamente na reprodução e não no prazer, encontrou em terras brasílicas um verdadeiro campo de batalha contra a “perdição da carne”. Passa a integrar o projeto civilizador da Igreja o processo de adestramento da sexualidade tanto dos nativos quanto dos colonos que passaram a se estabelecer no território. Partindo da reafirmação dos estereótipos femininos como o da “santa-mãezinha” - que enquadrava toda uma série de características desejadas para as mulheres como ser piedosa, submissa e assexuada -, o estabelecimento no dispositivo de controle da sexualidade “honra” delimitou os espaços de atuação de homens e mulheres não só em relação à conduta sexual, mas em toda a complexa rede de relações interpessoais daquela sociedade. Neste estudo partimos dos conceitos de discurso e dispositivo em M. Foucault para a compreensão do papel institucional da Igreja, do Estado e posteriormente da Medicina na elaboração de todo um imaginário sobre a sexualidade feminina em sua atribuição de guardiã da honra familiar, e do conceito de civilização dos costumes em N. Elias para o entendimento do processo de mudanças de sensibilidades dos indivíduos nas relações que estabelecem com seus corpos. Para este estudo foram analisadas fontes eclesiásticas do período colonial assim como fontes jurídicas também da colônia até o império e teses médicas do século XIX que em seu conjunto buscaram enquadrar a sexualidade feminina exclusivamente em seu papel reprodutivo de novos cidadãos como também reprodução dos discursos daqueles que diziam “o que a mulher deveria ser”.

      Biografía del autor/a

      • Walter de Carvalho Braga Júnior, Universidade Federal do Ceará
        Doutorando e Mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará. Possui Licenciatura em História pela mesma instituição. Professor efetivo na rede de ensino pública do Estado do Ceará. Membro do conselho editorial da Revista Em Perspectiva, revista discente do PPGH da Universidade Federal do Ceará. Pesquisador no Grupo de Pesquisas e Estudos em História e Gênero (GEPEHG), assim como no grupo Tradições Discursivas do Ceará (TRADICE) e membro do Grupo de Pesquisa Sociedade e Cultura no Brasil Oitocentista (SEBO) todos da Universidade Federal do Ceará. Tem experiência na área de História Social, com ênfase em História Social da Mulher, atuando principalmente nos seguintes temas: Criminalidade, História do Ceará e Relações de Gênero.
      • Anna Paula Oliveira Sales Ferreira Braga, Universidade Estadual do Ceará
        Graduada em Letras com habilitação em Língua Francesa pela Universidade Estadual do Ceará. Concluindo Especialização em Ensino de Língua Portuguesa na UECE. Diagramadora e Tradutora da Revista eletrônica Entrepalavras da UFC. Revisora de textos acadêmicos. Professora de Francês e Inglês. Membro dos grupos TRADICE - Tradições Discursivas do Ceará (UFC) sobre Práticas discursivas e estratégias de textualização sob orientação da Professora Doutora Aurea Zavam e Praetece - Práticas de Edição de Textos do Estado do Ceará (Uece) sobre Edição semidiplomática de textos manuscritos e impressos, sob a orientação do Professor Doutor Expedidto Ximenes.

      Publicado

      2016-07-17

      Número

      Sección

      Erotismo e Gênero

      Cómo citar

      Adestrar os corpos, civilizar os sentidos: a honra como dispositivo de controle da sexualidade no Brasil (colônia e império). Entrepalavras, [S. l.], v. 5, n. 3 esp, p. 207–218, 2016. DOI: 10.22168/2237-6321.5.5.3 esp.207-218. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/entrepalavras/article/view/99066. Acesso em: 21 sep. 2026.