Tortura e definição lexicográfica: uma análise discursiva
DOI:
https://doi.org/10.22168/2237-6321.2.2.1%20esp..131-144Palavras-chave:
Discurso lexicográfico, Ideologia, Tortura.Resumo
Considerando o dicionário enquanto objeto discursivo que estabelece uma relação entre língua, sujeito e história na constituição do discurso lexicográfico, investigamos as definições lexicográficas dos termos dados aos instrumentos e/ou modos de tortura praticados contra presas políticas (MERLINO; OJEDA, 2010) durante o regime militar ocorrido no Brasil entre os anos de 1964-1985. Partimos do entendimento de que os dicionários carregam ideologias (PONTES, 2009), constituindo-se em documentos não transparentes e que apontam modos de produção de conhecimento em determinadas conjunturas sócio-históricas, tecendo efeitos de sentido para os sujeitos e para a história desses sujeitos. A pesquisa foi feita em um dicionário de Língua Portuguesa, a saber, Ferreira (2004), e foi pautada nas considerações de Fairclough (2001), que percebe o discurso como prática política e como prática ideológica. Segundo esse autor, como prática política, além de estabelecer, manter e/ou transformar as entidades coletivas com relações de poder entre si, o discurso estabelece, mantém e/ou transforma as relações de poder, no plano mais geral da sociedade. Como prática ideológica, mostra como, a partir de posições diferentes nas relações de poder, os significados do mundo são constituídos, naturalizados, mantidos e/ou transformados pelo discurso. Os primeiros resultados desse estudo indicaram a ausência de aspectos sociais, históricos e afetivos no significado léxico, o que contribui para a permanência de um silêncio que inibe sentidos que se quer evitar, propondo limites discursivos. Indicaram, ainda, um silenciamento acerca de alguns desses termos no referido dicionário, tendo em vista a inexistência percebida.Downloads
Publicado
18-07-2012
Edição
Seção
ARTIGOS
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Como Citar
Tortura e definição lexicográfica: uma análise discursiva. Entrepalavras, [S. l.], v. 2, n. 1 esp., p. 131–144, 2012. DOI: 10.22168/2237-6321.2.2.1 esp.131-144. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/entrepalavras/article/view/98894. Acesso em: 21 set. 2026.
