Quando a comunicação prescinde da palavra
comunicação intersensorial e sociabilidades no transporte coletivo urbano.
DOI:
https://doi.org/10.36517/psg.v17iespecial.97533Palavras-chave:
Sociabilidades Urbanas, Transporte Coletivo, Etnografia SensorialResumo
Este artigo busca compreender como a comunicação no cotidiano urbano opera menos pela linguagem verbal e mais por processos sensoriais incorporados, especialmente em contextos de copresença intensa, como no transporte coletivo. O problema consiste em compreender de que modo gestos, posturas corporais, usos de objetos e percepções ambientais organizam sociabilidades e formas de convivência. Metodologicamente, apoia-se em uma etnografia sensorial realizada na linha de ônibus 901, que liga os municípios contíguos de Ananindeua e Belém, Pará. Os achados indicam que práticas banais, como ajustar o corpo ou acomodar objetos, constituem formas comunicacionais centrais para a regulação da copresença. Conclui-se que a comunicação sensorial é fundamental na organização das sociabilidades urbanas, contribuindo para a reflexão a respeito do campo da Comunicação ao deslocar o foco compreensivo da sua dimensão discursiva para a dimensão relacionada à experiência vivida.
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