A imanência do político
comunicação indígena e presença Mẽbêngôkre-Kayapó nas redes sociais
DOI:
https://doi.org/10.36517/psg.v17iespecial.97555Palavras-chave:
filosofia política, comunicação política, Mẽbêngôkre-Kayapó, internet, redes sociaisResumo
Este trabalho busca refletir sobre como a comunicação indígena, com ênfase no povo Mẽbêngôkre-Kayapó da Aldeia A’Ukre, territorializado no interior da Amazônia paraense, pode ser compreendida como uma forma de comunicação política a partir da apropriação da internet e das redes sociais. Parte-se do entendimento de que a política é imanente e indissociável de suas realidades, não sendo necessário, portanto, que esses sujeitos se declarem políticos para que suas práticas comunicacionais sejam compreendidas como políticas. Para fundamentar essa reflexão, recorremos à Filosofia Política, mobilizando autores como Aristóteles e Jacques Rancière. Desse modo, as reflexões aqui propostas transcendem uma concepção restrita à política institucional, sobretudo porque, conforme a perspectiva adotada, a política não depende necessariamente de instituições para se constituir e acontecer, podendo manifestar-se nas próprias práticas, relações e formas de existência dos sujeitos.
Downloads
Referências
ALENCAR, B. R.; SILVA, W. R. C.; F., M. S. TERRITÓRIO E POPULISMO DIGITAL: UMA VISÃO CIBERGEOGRÁFICA A PARTIR DO BOLSONARISMO: Territory and digital populism. Convergências: estudos em Humanidades Digitais, v. 1, n. 04, p. 104-123, 2024. Disponível em: https://periodicos.ifg.edu.br/cehd/article/view/96. Acesso em: 23 set. 2026.
AMARAL, E.; FILHO, A. V. Comunicação dos Povos Indígenas como chave para práticas decoloniais de uma outra-comunicação. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 21, n. 41, p. 60-72, 2022. Disponível em: <https://revista.pubalaic.org/index.php/alaic/article/view/901>. Acesso em: 23 set. 2026.
ARISTÓTELES. A Política. Bauru, SP: EDIPRO, 1995.
BENJAMIN, W. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. Porto Alegre: L&PM, 2018.
BERTOLLO, M. A dinâmica na rede urbana brasileira atual e a capilarização da informação pelo smartphone no território. GEOUSP Espaço e Tempo (Online), v. 23, n. 2, p. 262-284, 2019. Disponível em: <https://revistas.usp.br/geousp/article/view/158181>. Acesso em: 23 set. 2026.
BUENO, C. Comunidades indígenas usam internet e redes sociais para divulgar sua cultura. Ciência e Cultura, v. 65, n. 2, p. 14-15, 2013.
CASTRO, I. E. Geografia e política: território, escalas de ação e instituições. Bertrand Brasil, 2005.
CASTRO, R.; SOUZA., A.; FERREIRA, M.; MELLO, J. Comunicação política, fake news e redes sociais: uma revisão sistemática da literatura. Postdata, v. 27, n. 1, p. 48-63, 2022. Disponível em: https://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1851-96012022000100048&lng=es&nrm=iso>. Acesso em 22 set. 2026.
CASTRO, G. J.; OLIVIERI, A. G.; CASTRO, L. O lugar da Política na Filosofia Política de Aristóteles. Revista Processus de Políticas Públicas e Desenvolvimento Social, v. 6, n. 12, p. e061310-e061310, 2024. Disponível em: <https://periodicos.processus.com.br/index.php/ppds/article/view/1310>. Acesso em 23 set. 2026.
COELHO, C. B. Povos indígenas contemporâneos: os Mebêngôkre-Kayapó e sua relação com a internet. 2024. 174 f. il. color.
DEMARCHI, A.; DIAS, D. M. A imagem cronicamente imperfeita: o corpo e a câmera entre os Mebêngôkre-Kayapó. Espaço Ameríndio, v. 7, n. 2, p. 147, 2013. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EspacoAmerindio/article/view/3750. Acesso em: 23 set. 2026.
ESTEVES, L.; CAL, D. "Demarcar as telas": a comunicação digital como uma dimensão das resistências de mulheres indígenas. Anuário Internacional de Comunicação Lusófona, 2023.
FRANCO, T. C.; DI FELICE, M.; PEREIRA, E. da S. O net-ativismo indígena na Amazônia, em contextos pandêmicos. Estudos em Comunicação, n. 31, p. 109-132, 2020. Disponível em: <https://doi.org/10.25768/20.04.03.31.06>. Acesso em: 23 set. 2026.
GIRÃO, I. N. Comunicar para “segurar o céu”: diálogo com o comunicador indígena Rodrigo Tremembé sobre suas narrativas e experiências nas redes sociais. Revista Internacional de Folkcomunicação, v. 21, n. 47, 2023. Disponível em: <https://revistas.uepg.br/index.php/folkcom/article/view/22522>. Acesso em: 23 set. 2026.
FRAGOSO, S.; RECUERO, R.; AMARAL, A. Métodos de pesquisa para internet. Porto Alegre: Sulina, 2011.
GOMES, Pedro. A Partilha do Sensível: Rancière J. São Paulo: Editora 34, 2009 ISBN: 8573263210. Revista Brasileira de Bioética, v. 10, n. 1-4, p. 106-109, 2014.
HOFF, R. Identidades indígenas urbanas: autonarrativas contemporâneas midiatizadas no Instagram. Mídia e Cotidiano, v. 16, n. 2, p. 259-280, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.22409/rmc.v16i2.52170. Acesso em: 23 set. 2026.
ISRAEL, C. B. Redes digitais: espaços de poder: por uma geografia da Internet. Rio de Janeiro: Consequência Editora, 2021. 376 p.
LEWIS, J. A. Sovereignty and the evolution of internet ideology. Center for strategic & international studies (CSIS), 2020. Disponível em: < https://www.jstor.org/stable/pdf/resrep26992.pdf>. Acesso em: 23 set. 2026.
LOSURDO, D.. Colonialismo e luta anticolonial: desafios da revolução no século XXI. Boitempo Editorial, 2020.
MARQUES, Â. C. S. Comunicação, estética e política: a partilha do sensível promovida pelo dissenso, pela resistência e pela comunidade. GALÁxIA. Revista Interdisciplinar de Comunicação e Cultura, n. 22, 2011. Disponível em: < https://revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/view/7047>. Acesso em: 23 set. 2026.
PEREIRA, E. Mídias Nativas: a comunicação audiovisual indígena-o caso do projeto Vídeo Nas Aldeias. Ciberlegenda, n. 23, p. 61, 2010. Disponível em: < https://periodicos.uff.br/ciberlegenda/article/view/36654/21234>. Acesso em: 23 set. 2026.
PINTO, A. A. O protagonismo comunicacional-informacional-digital indígena na sociedade da informação: antecedentes, experiências e desafios. Anuario Electrónico de Estudios en Comunicación Social" Disertaciones", v. 11, n. 2, p. 104-127, 2018. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5115/511555883007/511555883007.pdf. Acesso em: 23 set. 2026.
RANCIÈRE, J. A partilha do Sensível: estética e política. Tradução: Mônica Costa Netto. 2a Ed, São Paulo; Editora 34, 2009. p.72.
RANCIÈRE, J. O desentendimento: política e filosofia. Tradução de Ângela Leite Lopes. São Paulo: Editora 34, 1996.
RIOS, L.; SILVA, C. Influenciadores digitais indígenas: o Instagram como mídia para manifestação identitária e ativista de indígenas da Amazônia Brasileira. Brazilian Creative Industries Journal, v. 3, n. 1, p. 215-241, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.25112/bcij.v3i1.3206. Acesso em: 23 set. 2026.
SANTAELLA, L. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano. Revista Famecos, v. 10, n. 22, p. 23-32, 2003. Disponível em: < https://doi.org/10.15448/1980-3729.2003.22.3229> . Acesso em: 23 set. 2026.
SHEPARD JR, G.; PACE, R. Authenticity and anthropophagy in Kayapó film production. Current Anthropology, v. 62, n. 3, p. 309-332, 2021. Disponível em: < https://www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/714080>. Acesso em: 23 set. 2026.
STRAUSS, L. O que é a Filosofia Política? Leviathan (São Paulo), n. 2, p. 1-27, 2011. Disponível em: < https://doi.org/10.11606/issn.2237-4485.lev.2011.132277>. Acesso em: 23 set. 2026.
ZANOTTI, L. Radical territories in the Brazilian Amazon: the Kayapó’s fight for just livelihoods. University of Arizona Press, 2016.
Publicado
Edição
Seção
Categorias
Licença
Copyright (c) 2026 Wesley Silva, Breno Alencar

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Esta licença permite que os reutilizadores distribuam, remixem, adaptem e desenvolvam o material em qualquer meio ou formato, desde que a atribuição seja dada ao criador. A licença permite o uso comercial.
















