Jurisgrafia e escrevivência contra a gramática da morte

experiências de autonomia comunitária em barcarena (Amazônia brasileira)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36517/psg.v17iespecial.97578

Palavras-chave:

Amazonia, Jurisgrafia, Protocolos de Consulta Prévia, Livre e Informada, Comunidades Tradicionais, Resistência

Resumo

Este artigo analisa os Protocolos de Consulta Prévia, Livre e Informada de quatro comunidades tradicionais em Barcarena (PA) – Quilombo Gibrié de São Lourenço, Sítio Conceição, Acuí e Rio Tauá – como expressões de resistência ao modelo neoliberal que transforma a Amazônia em zona de sacrifício. A partir da noção de jurisgrafia – inscrição do Direito fundada nos modos de existir comunitários – e do conceito de escrevivência (Evaristo, 2007), investiga-se como essas comunidades convertem memória, oralidade e sofrimento em norma própria. A pesquisa, baseada na análise dos protocolos e em observação participante, demonstra que tais documentos não são meras exigências burocráticas, mas atos de insurgência documental que afirmam soberania territorial, desestabilizam o monismo jurídico estatal e instituem uma legalidade do pertencimento, na qual a vida coletiva se impõe como limite intransponível ao avanço do capital

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Marcel Hazeu, Universidade Federal do Pará

    Graduação em Ciências Ambientais e mestrado em Ciências Ambientais pela Universidade de Wageningen (Holanda); mestrado em Planejamento do Desenvolvimento e doutorado em Desenvolvimento socioambiental pela Universidade Federal do Pará (UFPA)/Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Brasil). Pós-Graduação em Estudos Humanitários pela Universidade Erasmus de Roterdã. Professor/pesquisador da Faculdade de Serviço Social na UFPA e do Programa de Pós-Graduação de Serviço Social. Líder do Grupo de pesquisa Sociedade, Território e Resistências na Amazônia (GESTERRA/PPGSS/ISA/UFPA) e membro do grupo de pesquisa Trabalho, Empresas e Mercados Globalizados (GETTAM/NAEA/UFPA). Pesquisador e articulador voluntário da Sociedade de Defesa dos Direitos Sexuais na Amazônia (Sodireitos). Pesquisa e atua na área de Ciência Interdisciplinar e Ciências Socioambientais, com ênfase nos estudos críticos e decoloniais na Amazônia. Trabalho com os seguintes temas: Formação Social, Migrações, Conflitos Socioambientais, Grandes Projetos, Deslocamentos Forçados, Desenvolvimento Regional, Movimentos Sociais, Amazônia, Comunidades e Povos Tradicionais, Tráfico de Pessoas, Infância e Adolescência e Direitos Sexuais

  • Jorge Henrique Cardoso dos Santos, Universidade Federal do Pará

    Graduando em Serviço Social pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Bolsista PIBIC no Centro de Estudos sobre Sustentabilidade, Povos Tradicionais e Educação na Amazônia (CESPE), desenvolvendo pesquisa sobre protocolos de consulta às comunidades tradicionais. Integra o grupo de pesquisa Sociedade, Território e Resistência na Amazônia (GESTERRA), voltado à reflexão crítica sobre relações entre território, justiça socioambiental e comunidades tradicionais. Possui interesse em justiça socioambiental, ecologia dos saberes, direitos humanos, neurodiversidade e práticas emancipatórias voltadas às populações amazônicas. Busca articular saberes tradicionais e científicos na construção de estratégias para o bem viver e para a inclusão social em contextos marcados pela colonialidade e pelas desigualdades estruturais

Referências

ASSOCIAÇÃO DA COMUNIDADE QUILOMBOLA GIBRIÉ DE SÃO LOURENÇO. Protocolo de Consulta de Gibrié de São Lourenço. Barcarena, PA, 2017.

ASSOCIAÇÃO DA COMUNIDADE QUILOMBOLA INDÍGENA SÍTIO CONCEIÇÃO. Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada do Território Quilombola Sítio Conceição. Barcarena, PA, 2022.

ASSOCIAÇÃO DOS TRABALHADORES RURAL DO ACUI. Protocolo de Consulta Prévia, Livre e Informada da Comunidade Tradicional Acui. Barcarena, PA, 2022.

COMUNIDADE QUILOMBOLA-INDÍGENA-AGROEXTRATIVISTA DO RIO TAUÁ. Protocolo de Consulta Prévia, Livre e Informada da Comunidade Quilombola-Indígena-Agroextrativista do Rio Tauá. Barcarena, PA, 2024.

CASTRO, Edna. Estratégias de Expansão Territorial da Mineração na Amazônia, Desastres Socioambientais e Zonas de Sacrifício. In CASTRO, Edna. Dossiê Desastres e Crimes da Mineração em Barcarena, Mariana e Brumadinho. NAEA. Belém, 2019

COSTA, Solange Maria Gayoso da. HAZEU, Marcel Theodoor. Democracia de base: o direito à consulta prévia nos territórios tradicionalmente ocupados. Em Pauta: Teoria Social e Realidade Contemporânea, Rio de Janeiro, n. 50, v. 20, p. 109-124, jul./dez. 2022. DOI: 10.12957/REP.2022.68509.

CURY, Melissa. Pluralismo jurídico e direito consuetudinário. Revista Direito e Práxis, Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, p. 221-245, 2012.

EVARISTO, Conceição. Da grafia-desenho de minha mãe, um dos lugares de nascimento de minha escrita. In: EVARISTO, Conceição. Escrevivência: a escrita de nós. Belo Horizonte: Mazza, 2007.

HAZEU, Marcel Theodoor (coord.) et al. Poluição e contaminação no município de Barcarena: panorama de pesquisas acadêmicas e institucionais. Belém: GESTERRA/PPGSS/UFPA, 2025. Relatório técnico.

HAZEU, Marcel Theodoor. O não-lugar do outro: sistemas migratórios e transformações sociais em Barcarena. 2015. 335 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) – Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém, 2015.

MARQUES, Heitor Romero. Cultura, direito e sociedade. Curitiba: Juruá, 2015.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. Tradução de Renata Santini. São Paulo: n-1 edições, 2018.

MOURA, Clóvis. Sociologia do negro brasileiro. São Paulo: Ática, 1983.

OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. O trabalho do antropólogo. 2. ed. Brasília: Paralelo 15; São Paulo: UNESP, 1996.

OIT. Convenção nº 169 sobre povos indígenas e tribais. Genebra: Organização Internacional Do Trabalho, 1989.

PALMQUIST, Helena; BARBOSA, Catarina. Mineradoras da Noruega e da França são responsáveis por metade dos desastres ambientais de Barcarena. Barcarena, Pará, 14 mar. 2024. Disponível em: https://insustentaveis.sumauma.com/mineradoras-noruega-franca-responsaveis-metade-desastres-ambientais-barcarena/. Acesso em: 10 jan. 2026.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 227-278.

SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora, PISEAGRAMA, 2023.

SANTOS, Jorge Henrique Cardoso dos. Relatório parcial PIBIC. Belém: Universidade Federal do Pará, 2026.

VEDOVATO, Luis Renato. Paulo Freire e o direito à educação. São Paulo: Atlas, 2015.

VELHO, Gilberto. Projeto e metamorfose: antropologia das sociedades complexas. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.

Publicado

16-10-2026

Edição

Seção

Dossiê "Amazônia, Sociedade e Sustentabilidade: Narrativas, Discursos, Ideologias e Debates"

Categorias

Como Citar

HAZEU, Marcel Theodoor; CARDOSO DOS SANTOS, Jorge Henrique. Jurisgrafia e escrevivência contra a gramática da morte: experiências de autonomia comunitária em barcarena (Amazônia brasileira). Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, v. 17, n. especial, p. e97578 , 2026. DOI: 10.36517/psg.v17iespecial.97578. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/passagens/article/view/97578. Acesso em: 20 out. 2026.