Qual Amazônia cabe em um cartão-postal?
Representações, imaginários e regimes de visibilidade da Amazônia
DOI:
https://doi.org/10.36517/psg.v17iespecial.97610Palavras-chave:
cartões-postais, representação, Amazônia, imaginários, regimes de visibilidadeResumo
O presente artigo analisa os cartões-postais como artefatos comunicacionais capazes de produzir, condensar e fazer circular determinadas imagens da Amazônia. Parte-se da compreensão de que essas imagens, embora relacionadas a paisagens, sujeitos e lugares efetivamente existentes, não constituem registros neutros ou totalizantes da realidade amazônica, pois resultam de processos de seleção, enquadramento e atribuição de sentidos. O estudo investiga quais Amazônias são privilegiadas nos cartões-postais, observando recorrências relacionadas à natureza, ao exotismo, ao patrimônio, à cultura e ao turismo, bem como as ausências produzidas por esses regimes de visibilidade. Metodologicamente, adotam-se uma revisão de literatura e a análise imagética de seis cartões-postais de cidades da Amazônia. Busca-se compreender em que medida essas representações reproduzem imaginários historicamente construídos sobre a região ou contribuem para sua pluralização. Sustenta-se que o postal apresenta uma Amazônia real, porém parcial e recortada, convertendo experiências particulares em signos de uma totalidade regional. Ao problematizar o que é mostrado e o que permanece fora do enquadramento, o artigo discute as disputas de representação e os desafios para pensar a Amazônia a partir de suas próprias narrativas, experiências e formas de autorrepresentação.
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