Musicar a Amazônia

performance, circulação e territorialidade nos festivais de Parintins e Juruti

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36517/psg.v17iespecial.97693

Palavras-chave:

Amazônia, performance musical, circulação, territorialidade, festivais

Resumo

Este artigo analisa como performances musicais do Festival Folclórico de Parintins (AM) e do Festribal de Juruti (PA) produzem formas situadas de enunciação sobre a Amazônia. Em vez de pressupor uma oposição simples entre narrativas “de fora” e “de dentro”, pergunta-se quem pode falar em nome da região, por quais dispositivos e sob quais mediações culturais, turísticas e midiáticas. Adota-se uma abordagem qualitativa e comparativa, centrada em três composições de circulação recorrente: “A Grande Maloca” (Boi-Bumbá Garantido, 2006), “De Norte a Sul, Munduruku” (2008) e “Galera Nota 10” (2009). O corpus é examinado segundo cinco eixos: posição de enunciação, escala territorial, relação entre humanos e não humanos, endereçamento performático e circulação coletiva. A noção de musicalidade é delimitada como prática relacional de musicar: o conjunto de ações de compor, executar, cantar, escutar, torcer e fazer circular repertórios. A análise mostra que as três composições não narram a Amazônia do mesmo modo. A toada de Parintins universaliza uma ética socioambiental do cuidado, enquanto os cantos de Juruti instituem um “nós” competitivo e territorial, organizado pela rivalidade e pela participação da galera. Conclui-se que a potência comunicacional dessas músicas não reside apenas em suas letras, mas em sua capacidade de coordenar corpos, estabilizar memórias, ensinar posições de pertencimento e circular entre arena, ensaios, registros e usos cotidianos. Os festivais são compreendidos, assim, como infraestruturas comunicacionais ambivalentes: produzem autorrepresentação e vínculo, mas também negociam tipificações identitárias, espetacularização, turismo e mercado.

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Biografia do Autor

  • Giselle Moreira do Vale, Universidade Federal do Pará

    Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará (PPGCom/UFPA). Mestra em Ciências da Sociedade pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Sociedade da Universidade Federal do Oeste do Pará (PPGCS/Ufopa). Graduada em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

  • Fábio Fonseca de Castro, Universidade Federal do Pará

    Professor titular da Universidade Federal do Pará, vinculado ao Núcleo de Altos Estudos Amazônicos. Bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Professor e atual coordenador do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU). Professor colaborador no Programa de Pós-graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM). Foi professor visitante (visiting scholar) no Departamento de Sociologia da Universidade de Cambridge e conferencista da London School of Economics em 2017-18. Pós-doutor em Etnometodologia pela Universidade de Montreal (2014). Doutor em Sociologia pela Universidade da Sorbonne (Paris V Descartes) (2004). Mestre em Antropologia e Estudo das Sociedades Latino-Americanas pela Universidade de Sorbonne-Nouvelle) (2000). Mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (1995). Graduado em Comunicação-Jornalismo pela UFPA (1990). Vice-líder do Grupo de Pesquisa Socialidades, Intersubjetividades e Sensibilidades Amazônicas (SISA) e líder do Grupo de Pesquisa sobre Ontologias do Desenvolvimento (ONDE), no CNPq. 

  • Bruna do Carmo Reis Lira, Universidade Federal do Pará

    Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia pela Universidade Federal do Pará. Mestra em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (2024). Possui graduação em Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (2021). Participou do Grupo de Pesquisa "BIOS: Grupo de Estudos Biopolíticos no Norte e Nordeste", vinculada à linha de pesquisa "Resistências e modos de vida outros". Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em jornalismo e em estudos sobre religiões afro-brasileiras. Possui experiência em edição de matérias jornalísticas para websites e assessoria de comunicação.

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Fontes musicais

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MUNDURUKU. De Norte a Sul, Munduruku. Composição: Iézen Rocha. Juruti, 2008.

MUIRAPINIMA. Galera Nota 10. Composição: Gilson Gomes, Euler Kanamé e Carlos Coimbra. Juruti, 2009.

Publicado

16-10-2026

Edição

Seção

Dossiê "Amazônia, Sociedade e Sustentabilidade: Narrativas, Discursos, Ideologias e Debates"

Categorias

Como Citar

VALE, Giselle; CASTRO, Fábio; LIRA, Bruna. Musicar a Amazônia: performance, circulação e territorialidade nos festivais de Parintins e Juruti. Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, v. 17, n. especial, p. e97693 , 2026. DOI: 10.36517/psg.v17iespecial.97693. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/passagens/article/view/97693. Acesso em: 21 out. 2026.