O que o game Disco Elysium tem a dizer sobre a melancolia de esquerda?
DOI :
https://doi.org/10.36517/psg.v16i1.95697Résumé
O artigo discute o jogo Disco Elysium como uma manifestação estética da chamada “melancolia de esquerda”. Trata-se de uma pesquisa teórica que investiga o jogo digital como objeto cultural capaz de expressar sensações coletivas em torno da frustração política e da memória socialista. O trabalho tem como objeto de investigação a narrativa e o universo ficcional do game, especialmente suas referências ao passado revolucionário e ao desencanto contemporâneo. O objetivo é analisar como o jogo encarna afetos políticos ligados à derrota da esquerda no século XX e à persistência de seus espectros utópicos. Para isso, o artigo mobiliza uma análise imanente da obra a partir de um recorte de seus locais exploráveis e personagens, articulando os conceitos de melancolia de esquerda de Benjamin (2012), Traverso (2017) e Dean (2013) com passagens narrativas de Disco Elysium. Os principais resultados indicam que o jogo, embora ambientado em um cenário melancólico e fragmentado, oferece momentos de beleza, esperança e reconstrução simbólica, opondo-se à paralisia do ressentimento. A figura do detetive amnésico torna-se metáfora da investigação histórica e da reconstrução de sentido. Em síntese, o artigo argumenta que Disco Elysium não apenas reflete a melancolia da esquerda, mas propõe superá-la através da ação e do reencantamento com o mundo.
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