Ficções do real e imposições do jogo fotográfico no aplicativo BeReal

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DOI:

https://doi.org/10.36517/psg.v16i.91906

Resumo

Este artigo desenvolve uma análise crítica do aplicativo BeReal, a fim de compreender se de fato apresenta uma ruptura radical na produção e circulação de imagens fotográficas. A discussão recorre aos referenciais da teoria da fotografia para refletir sobre três pontos: as implicações do real atrelado à fotografia; o registro fotográfico como um filtro sociocultural; e o fazer fotográfico na sociedade de consumo como um jogo maniático mobilizado pelo aparelho. A partir dessa reflexão, foi possível observar que o BeReal se baseia no realismo ingênuo da primeira fase da fotografia, mascarando os aspectos ficcionais da criação fotográfica, além de reiterar o ato fotográfico mobilizado pelas imposições dos aparelhos.

Palavras-chave: fotografia; redes sociais; real e realismo; BeReal

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Biografia do Autor

  • Michel de Oliveira, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

    Doutor em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É integrante do Grupo de Estudos de Comunicação e Imaginário (Imaginalis). Autor de "Seduzidos pela luz ou bases antropológicas da fotografia" (Imaginalis, 2021) e de "Saudades eternas: fotografia entre a morte e a sobrevida" (Eduel, 2018). 

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Publicado

08-04-2026

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Artigos Livres

Como Citar

DE OLIVEIRA, Michel. Ficções do real e imposições do jogo fotográfico no aplicativo BeReal. Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, v. 16, p. 1–15, 2026. DOI: 10.36517/psg.v16i.91906. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/passagens/article/view/91906. Acesso em: 13 abr. 2026.