Geopolítica da Revolução Verde e o desenvolvimento capitalista:

desafios estruturais para a transformação dos sistemas agroalimentares

Autores/as

  • Mariana Homem de Mello Reinach CPDA/UFRRJ

    DOI:

    https://doi.org/10.36517/pj457968

    Palabras clave:

    Tecnologia agrícola., Cadeia agroindustrial, Cadeia agroalimentar, Agronegócio, Sociologia rural

    Resumen

    Caracterizações reducionistas sobre a Revolução Verde (RV) não consideram suas implicações históricas e geopolíticas. O artigo revisita as múltiplas dimensões da RV com o objetivo de trazer uma perspectiva sistêmica e sociológica que complexifique a compreensão do fenômeno. Relacionamos a primeira etapa da RV com o modelo de produção fordista, a emergência do Estado de Bem-Estar Social em países centrais e o sufocamento de revoltas camponesas em países periféricos. Relacionamos a segunda etapa da RV com o modelo de produção toyotista e a transnacionalização do capital. Apontamos que tendências à biotecnologia e à apropriação corporativa de conhecimentos locais convergem no âmbito da agricultura 4.0. Concluímos que o setor agrícola acompanha as dinâmicas e relações de poder inerentes ao sistema capitalista, o que exige ampliar os horizontes da análise científica para propor alternativas realistas a este modelo.

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    https://doi.org/10.4060/cc3017en

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    Publicado

    2026-03-01

    Número

    Sección

    Artículos

    Cómo citar

    Geopolítica da Revolução Verde e o desenvolvimento capitalista:: desafios estruturais para a transformação dos sistemas agroalimentares . (2026). Revista De Ciências Sociais, 56. https://doi.org/10.36517/pj457968