DA RUA À CASA: ESPAÇO FICCIONAL E OPRESSÃO EM CLARICE (2018), DE ROGER MELLO E FELIPE CAVALCANTE
DOI:
https://doi.org/10.36517/rdl.v2i44.102653Palabras clave:
Ditadura civil-militar;, Literatura juvenil;, Espaço ficcional;Resumen
O presente artigo analisa a construção do espaço ficcional na narrativa juvenil Clarice (2018), de Roger Mello e Felipe Cavalcante, ambientada em Brasília durante a Ditadura civil-militar brasileira. Parte-se da hipótese de que a repressão se torna perceptível não apenas como tema histórico, mas pela transformação dos modos de ocupar, atravessar e interpretar os espaços. A pesquisa, de natureza qualitativa e interpretativa, concentra-se em cinco núcleos espaciais examinados a partir de páginas duplas: a ponte, as ruas de Brasília, o Cine Brasília, a casa de Primo e a casa da Mulher que Gosta de Arte. Esses núcleos foram selecionados por sua relevância no desenvolvimento do enredo e por materializarem efeitos de vigilância, medo, silenciamento, insegurança, proteção e resistência. A análise distingue três planos complementares: espaço ficcional, ambientação e relação entre palavra e imagem, mobilizando, entre outros, Brandão (2013), Borges Filho (2008), DaMatta (1997), Nikolajeva e Scott (2011) e Dalcastagnè (1996). Os resultados indicam que os espaços públicos e privados deixam de funcionar como simples cenários e passam a organizar a experiência infantil diante do autoritarismo. A articulação verbo-visual amplia, restringe ou metaforiza informações, aproximando o leitor da percepção fragmentária de Clarice e evidenciando a instabilidade dos limites entre proteção e ameaça.
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Derechos de autor 2026 Camila Pereira de Sousa, Diógenes Buenos Aires de Carvalho

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