Resistências em Rede: Uma análise das articulações entre cidadania, comunicação e consumo a partir do vídeo “Bichas: o documentário”

  • Hadriel Theodoro Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Palavras-chave: bichas, estudos de gênero e sexualidade, cidadania, comunicação, consumo

Resumo

Em nossa sociedade e cultura, as bichas são reiteradamente discriminadas, tanto pela estigmatização de um desejo homoerótico quanto pelas expressões de gênero que transpõem as barreiras de um ideal de masculinidade hegemônico. Elas sofrem, por consequência, com uma série de violências, simbólicas e físicas, que as coloca em um lugar de precariedade. Dado este contexto, o presente artigo visa refletir sobre os modos de apropriações e usos das mídias alternativas (sobretudo a Internet) para a criação, circulação e consumo de discursos contra-hegemônicos sobre a homossexualidade e as expressões de gêneros que a englobam. Para tanto, o vídeo “Bichas: o documentário” é tomado como o objeto de análise. Veiculado no site de compartilhamento de vídeos YouTube, “Bichas” teve mais de 479 mil acessos desde a sua divulgação (em fevereiro de 2016). A metodologia empregada se pauta na análise dos discursos das seis bichas que relatam suas vivências. De modo geral, pode-se afirmar que as mídias digitais possuem um forte potencial de articulação no sentido de promover engajamentos em sentidos diversos. No caso das bichas, elas demonstram ser uma importante ferramenta para a demanda por cidadania e transformações sociais.

Biografia do Autor

Hadriel Theodoro, Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Mestre em Comunicação e Práticas de Consumo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (Bolsista CAPES - PROSUP Integral) e doutorando na mesma instituição.

Referências

BUTLER, Judith. 2011. Vida precária. Contemporânea, Salvador, n. 1, p. 13-33.

CANCLINI, Néstor García. 2010. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 290 p.

CARRARA, Sérgio. 2015. Moralidades, racionalidades e políticas sexuais no brasil contemporâneo. Mana, v. 21, n. 2, p. 323-345.

CARVALHO, Mario Felipe de Lima; CARRARA, Sérgio. 2015. Ciberativismo trans: considerações sobre uma nova geração militante. Contemporânea – Revista de Comunicação e Cultura, v. 13, n. 2, p. 382-400.

CASTELLS, Manuel. 2011. Comunicación y poder. Madrid: Alianza Editorial, 680 p.

_________________. 2003. A galáxia da Internet. Rio de Janeiro: Zahar, 244 p.

DOS REIS, Ramon Pereira. 2012. “Eu tenho medo de ficar afeminado”: performances e convenções corporais de gênero em espaços de sociabilidade homossexual. Revista do NUFEN, v.4, n.1, p. 73-87.

DOUGLAS, Mary; ISHERWOOD, Baron. 2009. O mundo dos bens. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 296 p.

FOUCAULT, Michel. 1984. História da sexualidade 2: o uso dos prazeres. Rio de janeiro: Edições Graal, 231 p.

FRY, Peter. 1982. Para inglês ver: identidade e política na cultura brasileira. Rio de Janeiro: Zahar, 135 p.

MORAES, Dênis de. 2000. Comunicação virtual e cidadania: movimentos sociais e políticos na Internet. Revista Brasileira de Ciências da

Comunicação, São Paulo, vol. XXIII, n. 2, p. 142-155.

ROCHA, Rose de Melo. 2009. É a partir de imagens que falamos de consumo: reflexões sobre fluxos visuais e comunicação midiática. In: Comunicação e consumo nas culturas locais e global. CASTRO, Gisela G.

S.; BACCEGA, Maria Aparecida (Orgs.). São Paulo: ESPM, p. 268-293.

RUBIN, Gayle. 2003. Pensando sobre Sexo: Notas para uma teoria radical da política da sexualidade. cadernos pagu, n. 21. p. 01-88.

Publicado
2017-09-15
Seção
Artigos