Do direito abstrato ao Estado: o papel do reconhecimento na Filosofia do Direito de Hegel

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.36517/arf.v17i2.96044

Palabras clave:

Reconhecimento. Direito. Hegel.

Resumen

O artigo discute a centralidade do conceito de reconhecimento na Filosofia do Direito de Hegel, contestando a visão de autores como Habermas e Honneth, que consideram este tema relevante apenas nos escritos do jovem Hegel. Sustentamos que o reconhecimento é fundamental em toda a obra de Hegel, especialmente no desenvolvimento do Espírito Objetivo na Filosofia do Direito. A análise percorre as três principais seções da Filosofia do Direito: direito abstrato, moralidade e eticidade. No direito abstrato, o reconhecimento se manifesta nas relações entre pessoas e na propriedade. Na moralidade, aparece na intersubjetividade das ações morais. Na eticidade, culmina nas instituições da família, sociedade civil e Estado. Buscamos demonstrar como o reconhecimento permeia ainda, na eticidade, a família, através do amor e pertencimento; a sociedade civil, mediante relações econômicas e corporativas; e Estado, como reconhecimento político entre cidadãos e instituições.

Biografía del autor/a

  • Italo Alves, Loyola University Chicago

    Professor da Loyola University Chicago. Doutor em Filosofia pela Loyola University Chicago (2025, com distinção) e pela PUCRS (2022, com louvor), mestre em Filosofia pela PUCRS (2018, com louvor) e bacharel em Direito (2015) pela PUCRS. Foi estudante e pesquisador visitante na Concordia University of Edmonton (2014), na School of Public Policy and Administration da Carleton University (2015 e 2017-2020), no departamento de Filosofia da Université de Montréal (2017-2018), do Cluster de Excelência Normative Orders da Goethe-Universität Frankfurt (2020-2021) e do Centro Marc Bloch da Humboldt-Universität Berlin (2022).

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Publicado

2026-02-28

Número

Sección

Varia

Cómo citar

Alves, I. (2026). Do direito abstrato ao Estado: o papel do reconhecimento na Filosofia do Direito de Hegel. Argumentos - Revista De Filosofia, 17(2), 282-305. https://doi.org/10.36517/arf.v17i2.96044