O AUTORITARISMO COMO EFEITO DA ASSOCIAÇÃO ENTRE O NEOLIBERALISMO E O ULTRACONSERVADORISMO
IMPLICAÇÕES NA ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR E NO CURRÍCULO
DOI:
https://doi.org/10.36517/eemd.4896.97406Keywords:
administração escolar e currículo, autoritarismo, ultraconservadorismo e neoliberalismoAbstract
Este artigo investiga como o autoritarismo emerge, no campo educacional brasileiro, da articulação entre neoliberalismo e ultraconservadorismo. Partimos do marco político de 2018 e de alertas prévios de Apple (2001) para examinar as ressonâncias contemporâneas desse arranjo, com foco em dois eixos: a) o recrudescimento de práticas arbitrárias na administração escolar e b) a pressão moral e identitária sobre o currículo. À luz das teorias democráticas (Bobbio, 1986; Dall, 2001; Miguel, 2005; Toro, 2005) e do marco constitucional (Brasil, 1988), discutimos como a naturalização do léxico gerencial, a importação seletiva de mecanismos da empresa privada e da área militar, somadas a erosão do ethos público favorecem práticas autoritárias sob justificativas de eficiência. No currículo, analisamos o adiantamento de pautas ultraconservadoras, como a reintrodução de ensino religioso compulsório, o retorno da educação moral e cívica e a equiparação indevida entre ciência e religião, bem como o enaltecimento de modelos cívico‑militares como suposto paradigma de disciplina e desempenho. O estudo combina revisão bibliográfica e análise documental e propõe recomendações para a defesa da gestão democrática e de um currículo laico e científico. Concluímos que a parceria entre neoliberalismo e ultraconservadorismo torna o autoritarismo não apenas um efeito, mas condição de viabilidade política, o que requer respostas regulatórias e pedagógicas robustas.
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