A propagação de memes sobre a legalização ou não do aborto: novos discursos, velhas questões

Autores

  • Luciana Fernandes Nery UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
    • Keila Gabryelle Leal Aragão Universidade Federal da Paraíba

      DOI:

      https://doi.org/10.22168/2237-6321-31563

      Palavras-chave:

      Memes. Legalização do aborto. Discurso.

      Resumo

      O presente artigo tem como objetivo analisar os discursos contra e a favor da legalização do aborto através dos memes e observar como a memória discursiva é retomada para a construção de “novos” discursos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de cunho descritivo-interpretativista fundamentada nos postulados teóricos da Análise do discurso de linha francesa, sobretudo em Pêcheux (1997), Foucault (2009a, 2009b), Maingueneau (2008) e Paveau (2013), com ênfase nas concepções de discurso, formação discursiva, memória e interdiscurso. Selecionamos como corpus quatro memes, sendo  dois que se colocam a favor da legalização do aborto e dois contra, publicados em páginas de quatro diferentes blogs da web. A análise nos permite afirmar que, ao propagar determinados discursos sobre a legalização do aborto, há uma retomada de discursos já existentes para reafirmar ou negar determinadas posições, tratando a causa como uma questão política alicerçada nos discursos da saúde e da religião.

      Biografia do Autor

      • Luciana Fernandes Nery, UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
        Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística- PROLING- Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, PB. Mestra em Linguagem e Ensino pela Universidade Federal de Campina Grande- UFCG. Professora Efetiva da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte- UERN.
      • Keila Gabryelle Leal Aragão, Universidade Federal da Paraíba
        Doutoranda e Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística- PROLING- Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, PB

      Referências

      AUTHIER-REVUZ, J. Heterogeneidade (s) Enunciativas. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, n.19, p.24-41, jul/dez 1990.

      BAKHTIN, M. (Volochinov). Marxismo e Filosofia da Linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. 9. ed. São Paulo: Hucitec, 1999.

      BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. Organização, tradução, posfácio e notas de Paulo Bezerra; notas da edição russa de Serguei Botcharov. São Paulo: Editora 34, 2016.

      BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado, 1998.

      COURTINE, J. J. Análise do discurso político endereçado aos cristãos. São Carlos: EDUFSCAR, 2009.

      Diário de uma feminista. Disponível em: http://diariosdeumafeminista.blogspot.com. Acesso em: 8 out. 2018.

      FAIRCLOUGH, N. Discurso e mudança social. Tradução: Izabel Magalhães. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 2001.

      FERNANDES, C. Análise do discurso: reflexões introdutórias, 2. ed. São Carlos: Claraluz, 2007.

      FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009a.

      FOUCAULT, M. A ordem do discurso. Tradução: Laura Fraga de Almeida Sampaio. 18. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2009b.

      Gerador de memes. Disponível em: http://geradormemes.com. Acesso em: 20 out. 2018.

      GREGOLIN, R. Análise do discurso: enfrentamentos teóricos. In: FERNANDES, C.; SANTOS, J.B. (org.). Teorias lingüísticas: problemáticas contemporâneas. Uberlândia: UFU, 2003.

      GREIMAS, A. J. Semântica estrutural. Pesquisa de Método. Tradução de Haquira Osakabe e Izidoro Blikstein. São Paulo: Cultrix/EDUSP, 1976.

      LENZA, P. Direito constitucional esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2017.

      MAINGUENEAU, D. Primando do interdiscurso. In: MAINGUENEAU, D.Gênese dos discursos. Tradução: Sírio Possenti. São Paulo: Párabola Editorial, 2008. p.31-45.

      Marcha das mulheres. Disponível em: https://marchamulheres.wordpress.com. Acesso em: 10 out. 2018.

      Memedroid. Disponível em: https://pt.memedroid.com/memes. Acesso em: 22 out. 2018.

      OMS. Organização Mundial de Saúde. Disponível em: https://nacoesunidas.org. Acesso em: 10 dez. 2018.

      PAVEAU, M. A.. Memória, des-memória, a-memória: quando o discurso volta-se para o seu passado. Trad. Jocilene Santana Prado; Eduardo Lopes Piris. EID&A- Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação, Ilhéus, n.5, p.137-161, dez 2013.

      PÊCHEUX, M. Análise do discurso: três épocas. In: GADET, F.; HAK, T. Por uma Análise Automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas: Editora da UNICAMP, 1997. p.311-318.

      PÊCHEUX, M. Papel da memória. In: ACHARD, P. et. al. Papel da memória. Campinas: Pontes, 2015. p. 43-51.

      PÊCHEUX, M.; FUCHS, C. A propósito da Análise Automática do discurso: atualização e perspectivas. In: GADET, F.; HAK, T. Por uma Análise Automática do Discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas: Ed. da Unicamp, 1997. p.163-252.

      VAN DIJK, T. A. (Org.). El discurso como interaccion social. Revisão técnica de J. A. Álvarez. Barcelona: Editorial Gedisa, 2000.

      Downloads

      Publicado

      02-12-2019

      Edição

      Seção

      ARTIGOS

      Como Citar

      A propagação de memes sobre a legalização ou não do aborto: novos discursos, velhas questões. Entrepalavras, [S. l.], v. 9, n. 3, p. 208–225, 2019. DOI: 10.22168/2237-6321-31563. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/entrepalavras/article/view/99383. Acesso em: 21 set. 2026.