O QUANTO A “ENXADA” É MAIS PESADA PARA AS MULHERES? DISCRIMINAÇÃO SALARIAL DE GÊNERO NO SETOR AGRÍCOLA BRASILEIRO

Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar a existência de diferenciais salariais por gênero no mercado de trabalho agrícola na zona rural brasileira, verificando se os diferenciais são oriundos de diferenças explicadas ou discriminatórias. Equações de rendimento e a decomposição detalhada do diferencial de salários por meio dos microdados da PNAD 2015, foram estimadas com a correção de Heckman. O método utilizado foi a decomposição de Oaxaca-Blinder. Os principais resultados mostram que o salário/hora dos homens é 157,62% maior que o das mulheres e o efeito da discriminação corresponde a 108,38% desse hiato. A principal conclusão indica que o diferencial salarial por gênero diminui com a formalidade do trabalho e com o aumento das horas trabalhadas pelas mulheres. Vale ressaltar que os resultados proporcionam a visualização da discriminação de gênero no mercado de trabalho rural, agregando contribuições aos estudos empíricos sobre os diferenciais salariais no setor agrícola.

Biografia do Autor

Kalu Soraia Schwaab, Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Doutoranda em Administração

Programa de Pós-Graduação em Administração - PPGA

Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Vanessa Rabelo Dutra, Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Doutoranda em Administração

Programa de Pós-Graduação em Administração - PPGA

Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Paulo Fernando Marschner, Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Mestrando em Administração

Programa de Pós-Graduação em Administração - PPGA

Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Paulo Sergio Ceretta, Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Doutor em Engenharia de Produção - UFSC

Professor no Programa de Pós-Graduação em Administração - PPGA

Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

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Publicado
2019-08-16
Seção
Artigos