A FUNDAMENTAÇÃO SUBJETIVA E SOCIAL DA RELIGIÃO EM LUDWIG FEUERBACH E KARL MARX

Eduardo F. Chagas

Resumo


O presente artigo pretende explicitar a diferença entre as concepções de religião em Ludwig Feuerbach e Karl Marx, no intuito de compreender por que a religião tornou-se, novamente, uma questão atual. Incialmente, mostrar-se-á a fundamentação subjetiva da religião em Feuerbach, principalmente em sua obra principal, A Essência do Cristianismo, em que ele deixa claro que o Cristianismo coloca no seu cume um deus subjetivo, pessoal, ilimitado, que cria através do “puro pensar” e do “querer” a natureza e o homem. Em seguida, diferentemente das argumentações de Feuerbach, evidenciar-se-á a fundamentação social da religião em Marx. Embora não haja no pensamento de Marx uma elaboração sistemática acerca da religião, há uma crítica a ela enquanto crítica social das condições materiais de existência, que é o fundamento dela. Para Marx, a religião, entendida especificamente como superstição, idolatria, “ópio”, que conforma o homem e embaraça a sua consciência, deve ser negada, mas não se trata pura e simplesmente de um desprezo, de uma proibição ou perseguição à religião, nem tampouco de uma negação em geral a ela, uma vez que ela é uma questão privada e deve ser respeitada, mas de desvelar o véu religioso presente na sociedade e no seu ordenamento político, no Estado, que oculta a exploração e a opressão humana. A crítica à religião como crítica da realidade social, da qual ela nasce e é expressão ideal, contribui, de certa forma, para a emancipação social do homem. Por último, procurar-se-á refletir sobre o lugar e a função da religião dentro de seu contexto sócio-político-econômico, no intuito de compreender melhor, por exemplo, o papel dela nas diferentes crises no mundo atual.

Palavras-chave


Religião em Feuerbach e Marx. O Fundamento da Religião em Feuerbach e Marx. A Diferença da Religião em Feuerbach e Marx.

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DOI: http://dx.doi.org/10.30611/2018n12id33326

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