Traços polissêmicos do verbo calcular

Autores/as

  • Leticia de Almeida Barbosa UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
    • Solange de Carvalho Fortilli UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL

      DOI:

      https://doi.org/10.22168/2237-6321-21159

      Palabras clave:

      Polissemia. Verbos cognitivos. Gramaticalização.

      Resumen

      Este trabalho tem como objetivo discutir aspectos semânticos do verbo calcular que, em contexto prototípico, significa determinar valor ou grandeza numérica por meio de raciocínio matemático. Em situações reais de comunicação, nota-se a existência de empregos diversos para calcular, ora expressando o valor ou a quantidade de algo concreto, ora quantificando algo abstrato ou ainda funcionando como um parêntese ou informação extra relacionada à postura do falante sobre o que é dito. Esse comportamento revela modificações no significado do verbo, que, de predicado que seleciona dois argumentos concretos, vem apresentando reforço nos traços ligados à subjetividade e à intersubjetividade, estando os processos polissêmicos ligados a essa mudança. Como fundamentação teórica, a pesquisa apoiou-se em estudos como os de Sweetser (1990), Heine et al. (1991), Hopper e Traugott (1993), Neves (2000) e Martelotta (2010), que tratam de mudanças semânticas no âmbito da Gramaticalização. Mais especificamente, tomou-se por base Casseb-Galvão (2000) e Fortilli (2015), por tratarem de verbos que passam por alterações semelhantes. Para o levantamento e análise de dados, foram selecionados casos encontrados entre os séculos XIX, XX e XXI no Corpus do Português. Os resultados apontam para uma maior disseminação dos usos do verbo calcular em configuração parentética, o que se justifica pelo processo de abstração de seu significado, pois, quando parentetizado, o verbo deixa de referenciar traços semânticos específicos de um processo mental e evidencia traços de incerteza do falante diante do que está sendo afirmado.

      Biografía del autor/a

      • Leticia de Almeida Barbosa, UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
        Graduada em Letras - Português/Inglês (2013-2016) pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Três Lagoas (CPTL). Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Letras (2017-2019), com ênfase em descrição e análise linguísticas na perspectiva funcional cognitivista, sob a orientação da Profª Drª Taísa Peres de Oliveira (UFMS), e integrante do Grupo de Estudos Sociofuncionalistas, CNPq.
      • Solange de Carvalho Fortilli, UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
        É graduada em Letras (Português-Francês) pela Universidade Estadual Paulista, Mestre e Doutora em Estudos Linguísticos pela mesma Instituição. É professora adjunta do câmpus de Três Lagoas da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, onde atua no ensino de graduação nas áreas de Morfologia e Sintaxe da Língua Portuguesa. Em nível de pós-graduação, compõe o quadro docente do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) e é responsável pelas disciplinas referentes à gramática do português e à variação linguística e pela orientação de dissertações a elas relacionadas. Integrante também do Programa de Pós-Graduação em Letras, atua na linha de Estudos Sociofuncionalistas e desenvolve, sobretudo, os temas mudança linguística, gramaticalização e subjetivização.

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      Publicado

      2018-07-10

      Número

      Sección

      TEORIA E ANÁLISE LINGUÍSTICA (seção vária)

      Cómo citar

      Traços polissêmicos do verbo calcular. Entrepalavras, [S. l.], v. 8, n. 2, p. 401–418, 2018. DOI: 10.22168/2237-6321-21159. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/entrepalavras/article/view/99251. Acesso em: 21 sep. 2026.